O Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (HCTC), principal centro de atendimento de média e alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde em Teresópolis, reagiu à proposta da Prefeitura de reduzir em 40% o valor do contrato vigente. Segundo o governo municipal, o modelo anterior previa pagamento pré-pago por leitos que estariam ociosos. A direção do hospital, porém, contesta o diagnóstico e sustenta que a ocupação real supera 90% em quase todas as especialidades, informa o g1.
Em comunicado conjunto com a Fundação Educacional Serra dos Órgãos (Feso), mantenedora da instituição, o HCTCO detalhou o alcance das mudanças. O plano oficial indica a desativação de 43 leitos de internação, fazendo a capacidade cair de 150 para 107 vagas, e a redução de 50% nos exames de média e alta complexidade. O texto também informa que já foram iniciadas dispensas de equipes assistenciais, medida que, para os gestores da unidade, compromete a continuidade do serviço.
Hospital rebate tese de ociosidade
A nota de esclarecimento afirma de forma categórica: “Não existe ociosidade de leitos que justifique a redução solicitada pela Secretaria de Saúde”. De acordo com a diretora-geral Rosane Rodrigues Costa, a desmobilização de profissionais cria um cenário praticamente irreversível. Ela advertiu que, mesmo que o município volte atrás no futuro, “será impossível recompor rapidamente times treinados, fluxos cirúrgicos e estruturas laboratoriais”.
O diretor-geral da Feso, Luis Eduardo Possidente Tostes, reforçou que o corte mensal previsto significa 126 internações e 76 cirurgias a menos de média complexidade. Para ele, a diminuição dificulta transferências regionais e aumenta filas para exames essenciais, como tomografias e procedimentos cardiológicos.
Impacto na produção de exames e cirurgias
Os gestores divulgaram ainda que deixarão de ser feitos 11.088 exames de média complexidade e 225 de alta complexidade por mês. O hospital argumenta que a cidade possui apenas outra unidade contratada, administrada pela Beneficência Portuguesa, com atuação restrita à ortopedia e pediatria e sem condições de absorver a demanda remanescente.
O secretário municipal Fábio Gallote confirmou a retirada do sistema pré-pago e declarou ao g1 que não haverá perda para a população, pois exames e atendimentos ambulatoriais seriam incorporados à rede própria da Prefeitura. A direção do HCTCO, entretanto, vê risco de precarização e lembra que o atendimento local sempre foi marcado por subfinanciamento.
Dívida milionária e histórico de déficit
No mesmo documento, a unidade apresentou números da dívida que mantém com o município. O passivo total alcança R$ 123,2 milhões, incluindo débitos de gestões anteriores e valores referentes a 2024 e 2025, somando R$ 123,2 milhões. Apesar do desequilíbrio financeiro sistemático, o hospital ressaltou que preservou o atendimento até agora, mas afirma que o novo contrato inviabiliza essa estratégia.






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