Português que ofereceu recompensa por mortes de brasileiros é preso em Portugal

Homem prometia 500 euros por “cabeça de brasileiro” em vídeo e foi detido por incitação à violência

A Polícia Judiciária de Portugal prendeu, nesta segunda-feira (8), João Paulo Silva Oliveira, de 56 anos, acusado de incitar violência contra brasileiros. Em um vídeo publicado no TikTok no dia 1º de setembro, o português promete pagar € 500 (cerca de R$ 3,1 mil) a quem entregasse a “cabeça de um brasileiro, cortada rente no pescoço”. As imagens viralizaram e provocaram indignação na comunidade brasileira no país.

Detenção e antecedentes criminais
Oliveira, que trabalhava como confeiteiro em uma padaria, foi preso em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro. Segundo a polícia, ele já era conhecido das autoridades e tinha antecedentes por dano ao patrimônio. O suspeito foi levado para interrogatório e apresentado a um tribunal nesta terça-feira (9), onde a Justiça decidirá se ele permanece preso preventivamente ou responderá em liberdade.

Polícia portuguesa condena incitação à violência
Em nota, a Polícia Judiciária afirmou que o vídeo oferecia dinheiro para que “se atentasse, de forma bárbara, contra a vida de determinados cidadãos estrangeiros”, o que teria “afetado gravemente o sentimento de tranquilidade e segurança da comunidade”. A denúncia inicial partiu de um grupo de 39 advogados, que acusou o português de promover discurso de ódio, apologia ao crime e incitação ao homicídio.

Ministério Público recebeu queixa-crime
Após a repercussão, o Ministério Público português recebeu uma queixa-crime contra Oliveira. Segundo os advogados, o vídeo configurava um incentivo explícito à prática de crimes violentos. Ele foi detido sem oferecer resistência e, no tribunal, recusou advogado particular, sendo representado por um defensor público.

Cresce preocupação com crimes de ódio em Portugal
O episódio ocorre em um momento de tensão no país. Um relatório da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI), divulgado em junho, mostrou que os crimes de ódio em Portugal saltaram de 63 casos em 2019 para 327 em 2024, incluindo ataques, ameaças e incitação à violência. Nos últimos meses, a polícia portuguesa também desmantelou uma milícia armada de extrema-direita.

Contexto político e debate sobre imigração
O caso intensifica o debate sobre a imigração em Portugal, que enfrenta discussões sobre uma nova versão da “Lei dos Estrangeiros”, recentemente rejeitada pelo Tribunal Constitucional. A polêmica também vem sendo alimentada pelo partido de ultradireita Chega. O líder da legenda, André Ventura, chegou a expor nomes de crianças de origem árabe e indiana em uma escola pública, atitude considerada discriminatória e repudiada por outros partidos no Parlamento.

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