Por videoconferência, Rogério Andrade nega ter mandado matar Fernando Iggnácio

Preso em penitenciária federal, contraventor foi ouvido pela Justiça e rejeitou a acusação; defesa tentou adiar interrogatório, mas pedido foi negado.

O contraventor Rogério de Andrade negou qualquer participação no assassinato de Fernando Iggnácio durante interrogatório realizado por videoconferência nesta quarta-feira (5). Preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, ele afirmou à Justiça que não ordenou nem participou do crime ocorrido em novembro de 2020.

Ao responder às perguntas da juíza Alessandra Roidis, do I Tribunal do Júri do Rio, Andrade declarou que desconhece os motivos que levariam ao homicídio e contestou as acusações apresentadas na denúncia do Ministério Público.

— Eu agradeço a oportunidade de poder ter o direito de falar, mas eu não cometi isso. Eu não matei o Ignácio, não mandei matar. Repito que não mandei e não conheço o motivo para que isso acontecesse. Eu não reconheço os fatos narrados na denúncia — afirmou o réu.

Réu decide permanecer em silêncio após declaração

Durante o depoimento, Rogério Andrade falou de forma tranquila, com voz rouca e firme. Após negar as acusações, ele informou à magistrada que seguiria a orientação de seus advogados e não responderia a outras perguntas sobre o caso.

— Assim, instruído por meus advogados, eu invoco meu direito constitucional de permanecer em silêncio. E peço perdão a Vossa Excelência — disse o contraventor.

A juíza respondeu que o pedido de desculpas era desnecessário, lembrando que permanecer em silêncio é um direito garantido ao acusado.

Audiência ouviu peritos e analisou mensagens criptografadas

A audiência de instrução e julgamento teve início às 13h15 e contou com o depoimento de dois peritos: um do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), da Polícia Civil, e outro contratado pela defesa.

O especialista da polícia apresentou análise de mensagens atribuídas a Rogério Andrade e ao ex-sargento da Polícia Militar Márcio Araújo de Souza, apontado como chefe de segurança do contraventor e também preso. As conversas teriam ocorrido por meio do aplicativo Wickr Me, conhecido por oferecer criptografia de ponta a ponta e recursos de autodestruição de mensagens.

Já o perito indicado pela defesa afirmou não ter tido acesso integral aos autos do processo, argumento usado pelos advogados para solicitar o adiamento do interrogatório. O pedido, no entanto, foi negado pela juíza responsável pelo caso.

Acusação aponta suposto plano para execução

Segundo a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio, Rogério Andrade e Márcio Araújo teriam usado codinomes no aplicativo para discutir a execução de Fernando Iggnácio.

De acordo com a investigação, Andrade utilizaria o nome “capitanJacks”, enquanto Araújo seria identificado como “lobO009”. Em uma das mensagens analisadas, o contraventor teria escrito: “Tá bom pra tomar tudo agora”.

Em seguida, ele teria acrescentado: “O cabeludo é o que interessa”, referência, segundo os investigadores, ao cabelo característico da vítima.

Na troca de mensagens, Araújo respondeu: “Perfeitamente”, o que, para os promotores, indicaria concordância com o suposto plano.

Outro réu também se manteve em silêncio

Além de Rogério Andrade, o réu Gilmar Eneas Lisboa também seria interrogado na mesma audiência. Apontado pela investigação como responsável por monitorar os deslocamentos de Fernando Iggnácio antes do crime, ele optou por seguir a orientação da defesa e exerceu o direito de permanecer em silêncio.

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