Polícia procura agressor de sushiman nordestino dentro de vagão do metrô no Leblon; suspeita é de xenofobia (vídeo)

As informações são do Bom Dia Rio, da TV Globo e do site G1. Imagens de câmeras de segurança mostram um passageiro sendo agredido por um homem dentro do vagão do metrô, no bairro do Leblon, Rio. Paulo Vítor Araújo sofreu uma lesão no olho e teve traumatismo craniano. A ação aconteceu por volta das 23h do dia…

As informações são do Bom Dia Rio, da TV Globo e do site G1. Imagens de câmeras de segurança mostram um passageiro sendo agredido por um homem dentro do vagão do metrô, no bairro do Leblon, Rio. Paulo Vítor Araújo sofreu uma lesão no olho e teve traumatismo craniano.

Agressor procurado

A ação aconteceu por volta das 23h do dia 7 de junho, e o suspeito, que estava acompanhado de uma mulher, é procurado pela polícia. O caso é investigado como xenofobia regional, já que a vítima é nordestina.

Paulo Vítor, que trabalha como sushiman, voltava para casa. Ele pegou o metrô em São Conrado, no sentido Uruguai, e no meio do caminho, perto da estação Antero de Quental, foi agredido, aparentemente sem motivo.

Paulo Victor, o sushiman

Em entrevista ao Bom Dia Rio nesta quinta-feira (28), Paulo Vítor disse que não conhecia o agressor.

“Não conhecia o cara, não conhecia a mulher. Não fazia nem ideia se era um casal ou não. (…) Pra mim foi uma coisa sem explicação. O que aconteceu eu sei, agora, o porquê é que tem que ser explicado, tem que ser identificado”.

“Quando eu levanto eu ainda faço um gesto com as mãos tentando entender o que tinha acontecido. Lógico que a ação gerou uma reação. Quem levantou para me agredir foi o cara, eu tava de cabeça baixa e jamais eu iria esperar uma agressão de surpresa e gratuita como a que eu sofri”.

A delegada Débora Rodrigues, da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), fala em tentativa de homicídio.

“Eles não se conhecem, ele olha pra vítima e começa a agredir. Ele agrediu tanto… isso é uma tentativa de homicídio. Ele só não morreu por circunstâncias alheias. Ele teve traumatismo craniano, ele tem uma placa no rosto, ele tá com o olho diferente. A troco de que? De nada, não houve nenhuma discussão entre eles, não houve sequer uma troca de palavras”.

Câmera flagrou agressões

Um homem de casaco vermelho se levanta, pega duas bolsas e bate uma delas na cabeça do passageiro de preto, que está na frente dele.

Paulo estava mexendo no celular, se levanta e os dois começam a brigar.

Ele tenta se defender. Alguns passageiros e a mulher que parecia estar com o agressor tentam ajudá-lo.

Paulo Vítor cai no chão várias vezes. Um dos passageiros, que também está de vermelho, tenta apartar a briga.

Em seguida, o agressor sai do metrô. Imagens das câmeras que ficam acopladas no uniforme dos seguranças do metrô registraram a saída na estação Antero de Quental.

Os funcionários ainda tentam abordar o suspeito, mas, alterado, ele deixa o local.

Segurança: Boa noite, amigão, posso falar contigo?

Suspeito: Não encosta em mim, não encosta em mim.

Segurança: Eu só to perguntando o que aconteceu. Aconteceu alguma coisa dentro do trem?

Suspeito: Não entra não, não entra não.

Segurança: Vou pedir pra você aguardar.

Suspeito: É vacilão, é vacilão.

Rádio: Solicita apoio aí, pede pra direcionar pra sala, pra gente poder manter que tem uma pessoa machucada.

Segurança: Aguarda por favor, amigão.

Suspeito: Eu tô no meu caminho. Não entra no meio caminho, não.

Segurança: Tô sozinho, ele tá muito agressivo e tá me ameaçando. Ele também tá usando a esposa aqui como escudo.

Suspeito: É vacilão! É vacilão.

Segurança: Vai lá, vai lá.

Mulher grita: Pelo amor de Deus, vamos embora.

Funcionários do metrô disseram que o agressor estava com uma faca e por isso não conseguiram pará-lo. Disseram ainda que tentaram conversar com ele e levá-lo para uma sala onde é registrada esse tipo de ocorrência, mas sem sucesso.

As imagens mostram ainda Paulo Vítor machucado, com sangue no rosto.

Ele disse que foi ao Hospital Miguel Couto depois das agressões e fez um exame do crânio, mas que foi informado que ninguém poderia avaliar o exame. Liberado, Paulo Vítor procurou atendimento em um hospital particular de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), no Centro, investiga o caso. A suspeita é de xenofobia regional porque Paulo Vítor é nordestino. Até o momento, a polícia não vê outra motivação para o crime.

O registro de ocorrência diz que as agressões aconteceram na altura da estação Antero de Quental, no Leblon, e que a vítima foi repentinamente agredida por um homem com um objeto que ele não faz ideia do que seja. O ferimento resultou em traumatismo craniano. Paulo disse ainda que nunca viu o agressor e não faz ideia do que motivou a agressão.

A polícia tenta identificar o suspeito e pede a colaboração da população. Quem tiver informações pode denunciar pelo telefone do Disque Denúncia: 21 2253-1177.

Assista ao vídeo:

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