A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro afirmou nesta terça-feira, em nota oficial, que não há qualquer relação entre os R$ 100 mil apontados como movimentação financeira atípica na conta do vereador Salvino Oliveira (PSD) e um prêmio recebido pelo parlamentar da Organização das Nações Unidas (ONU). O esclarecimento é do Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD). Salvino afirmou que o valor em questão é fruto dessa premiação.
Salvino foi detido na quarta-feira (11) durante um operação contra o envolvimento de agentes públicos com o tráfico. Ele foi solto dois dias depois por decisão do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). Antes de assumir a cadeira na Câmara, ele atuou como Secretário Municipal da Juventude do prefeito Eduardo Paes. Sua prisão desencadeou uma guerra política, com Paes e seus aliados acusando o governo Cláudio Castro de uso da polícia para perseguição política.
Segundo a corporação, os valores considerados suspeitos foram identificados em transações realizadas ao longo do segundo semestre de 2024 e comunicados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), responsável por monitorar operações financeiras atípicas no país.
Depósitos em espécie e origem dos recursos levantaram suspeitas
De acordo com a Polícia Civil, o que motivou o alerta foram depósitos em dinheiro vivo na conta do investigado, além de transferências feitas por uma empresa de informática localizada no interior do Complexo da Maré, área sob influência da facção criminosa Comando Vermelho.
Ainda segundo o órgão, esses elementos reforçam a necessidade de aprofundamento das investigações, especialmente diante do possível vínculo indireto com regiões controladas por organizações criminosas.
Prêmios não são considerados suspeitos automaticamente
A instituição também destacou que valores recebidos como premiações, inclusive de organismos internacionais, não são classificados automaticamente como suspeitos nas análises financeiras conduzidas pelos investigadores.
A Polícia Civil ressaltou que a identificação de movimentações atípicas segue critérios técnicos rigorosos, baseados em metodologias adotadas por órgãos de controle e investigação no Brasil e no exterior.
Critérios técnicos orientam atuação do Coaf
Para que uma operação financeira seja considerada suspeita, o Coaf utiliza parâmetros objetivos que permitem uma avaliação detalhada das transações, com foco na detecção de possíveis práticas ilícitas, como lavagem de dinheiro, informa a Polícia Civil.
Esses critérios incluem análise de volume, frequência, origem dos recursos e padrão das movimentações, garantindo maior precisão na identificação de irregularidades.
Investigações seguem em andamento
Por fim, a Polícia Civil reafirmou o compromisso com a legalidade, transparência e imparcialidade na condução do caso, destacando que todas as diligências necessárias estão sendo realizadas.
As investigações continuam em curso e devem avançar com novas etapas de apuração até a conclusão do inquérito.
Veja a íntegra da nota da Polícia Civil:
A respeito das recentes declarações sobre a investigação que culminou na prisão do vereador Salvino Oliveira, o Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD) esclarece que o montante de R$ 100.000,00 (cem mil reais) comunicado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) como movimentação atípica não possui qualquer relação com a premiação concedida pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Os valores apontados como suspeitos são decorrentes de transações realizadas ao longo do segundo semestre de 2024. Nessas movimentações, chamaram a atenção dos órgãos de fiscalização depósitos em espécie realizados na conta do investigado, além de transferências provenientes de uma empresa de informática localizada no interior do Complexo da Maré – área sob controle da organização criminosa Comando Vermelho.
Esses elementos reforçam a necessidade de uma apuração rigorosa.
A instituição também esclarece que valores recebidos a título de premiação não são considerados, por si só, movimentações financeiras suspeitas nas análises realizadas pela Polícia Civil.
A análise das movimentações financeiras dos investigados segue metodologia técnica consolidada, desenvolvida a partir de parâmetros adotados por diversos órgãos de prevenção e investigação no Brasil e no exterior.
Para que uma movimentação seja classificada como atípica ou suspeita, tornando-se objeto de investigação, o COAF adota critérios objetivos e técnicos, que permitem uma análise robusta e criteriosa voltada à identificação e ao combate de atividades financeiras ilícitas, incluindo lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a imparcialidade, ressaltando que as investigações prosseguem de forma técnica, isenta e profissional, com o cumprimento de todas as diligências necessárias à conclusão do inquérito.
As investigações prosseguem!





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