A Polícia Federal indiciou a deputada estadual Lucinha (PSD) por suspeita de envolvimento com uma milícia que atua na Zona Oeste do Rio. O ofício da PF com a conclusão das investigações foi enviado à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) na semana passada.
A deputada foi alvo de uma operação da PF e do Ministério Público do Rio em dezembro do ano passado, que investigava a ligação da parlamentar com a milícia chefiada por Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho. Lucinha nega envolvimento com grupo criminoso.
Segundo a PF e o MPRJ, Lucinha agiria em conjunto com uma assessora para beneficiar os milicianos, com atuação na Zona Oeste do Rio, seu reduto eleitoral. A investigação sobre Lucinha e sua assessora, Ariane Lima, foi conduzida pela Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ). O procedimento foi encaminhado à PGJ pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP, depois que diálogos de integrantes da quadrilha que mencionavam a política foram interceptados. Como deputados estaduais têm direito a foro especial, o caso tramita no Órgão Especial do TJ-RJ.
Entre os fatos apurados, há trocas de mensagens e áudios onde Lucinha tenta, junto à Prefeitura do Rio, beneficiar interesses de milicianos, como no transporte alternativo que funciona na Zona Oeste. O serviço na região é um dos principais negócios da milícia de Zinho.
De acordo com o portal de notícias G1, o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o coronel Silvio Luiz da Silva foram ouvidos no inquérito, na condição de testemunhas. Consta no inquérito que Lucinha fez chegar até o coronel um pedido para que dois milicianos fossem soltos.
O relatório da Polícia Federal foi entregue ao procurador geral do Ministério Público, Luciano Mattos, e cabe a ele oferecer ou não a denúncia contra a deputada Lucinha.
A deputada estadual Lúcia Helena Pinto de Barros, conhecida apenas como Lucinha, de 63 anos, é conhecida no cenário político do Rio, aliada de políticos que comandaram tanto a prefeitura da capital quanto o governo fluminense.
Cria da Zona Oeste carioca, ela começou na vida pública como ativista do Movimento Popular Organizado, na década de 1980. Atualmente no PSD, ela tem dois filhos — um deles, Junior da Lucinha, é secretário municipal de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida da cidade do Rio. E, nesta segunda-feira, tornou-se alvo da operação Batismo, da Polícia Federal e do Ministério Público do Rio (MPRJ), que apura a participação e a articulação política da deputada para beneficiar a milícia chefiada por Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho.
Com informações de O Globo.




