MP do Rio denuncia deputada Lucinha por integrar maior milícia da Zona Oeste então comandada por Zinho

Deputada entregou no início do mês sua defesa final ao Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em relação às acusações de ser aliada da milícia

A deputada estadual Lucia Helena Pinto de Barros, conhecida como Lucinha (PSD), e sua ex-assessora parlamentar, Ariane Afonso Lima, foram denunciadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por integrarem a milícia “Bonde do Zinho”, também chamada “Tropa do Z” ou “Família Braga”, liderada por Luis Antonio da Silva Braga, o Zinho. Segundo as investigações, Lucinha e Ariane faziam parte do núcleo político da organização criminosa.

A denúncia foi apresentada na última quarta-feira ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Com base nas informações coletadas durante a operação “Dinastia I”, foi revelado que a milícia era composta por um núcleo operacional dividido em três subgrupos: as lideranças principais, as lideranças locais que atuavam nas áreas dominadas pelo grupo, e os assessores, também conhecidos como soldados ou informantes, que estavam ligados à liderança principal e eram responsáveis pelo contato com integrantes das forças de segurança, execução de patrulhamento e segurança, entre outras funções.

Com o avanço das investigações e no decorrer do inquérito policial que deu origem à operação “Dinastia II”, foram identificados outros dois núcleos: o núcleo financeiro, responsável pela lavagem de dinheiro obtido com as atividades criminosas, e o núcleo político, do qual Lucinha e Ariane faziam parte. A função delas era defender os interesses dos criminosos junto ao Poder Público.

“Em múltiplos episódios, constata-se a clara interferência das denunciadas na esfera política, junto a autoridades policiais e políticas, ora para favorecer os interesses da organização criminosa, ora para blindá-la das iniciativas estatais de combate ao grupo e ora para livrá-los de ações policiais, garantindo a impunidade dos seus integrantes”, descreve um trecho da denúncia, assinada pelo Procurador-Geral de Justiça, Luciano Mattos, com apoio da Assessoria de Atribuição Originária Criminal (AAOCRIM/MPRJ).

No início do mês, a deputada entregou sua defesa final ao Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em relação às acusações de ser aliada da milícia da Zona Oeste. Ela alegou inocência e negou todas as acusações. A área controlada por Zinho também é reduto eleitoral da deputada e, segundo investigações da Polícia Federal, Lucinha seria o braço político do grupo.

O relator Vinícius Cozzolino (União) tem até 19 de junho para apresentar seu parecer, que será votado pelos sete deputados que compõem o Conselho. Qualquer que seja o resultado, o destino de Lucinha será decidido pelos outros 69 deputados no plenário da Alerj.

Entre as 813 propostas de emenda ao orçamento do Estado do Rio apresentadas pelos 70 deputados estaduais, algumas são muito específicas, destinadas a cofres de municípios ou entidades comandadas por aliados ou parentes. Outras deixam em aberto qual será a destinação final do recurso. Um levantamento feito pelo jornal, com base em informações obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI) e compiladas do Diário Oficial do estado, no primeiro orçamento impositivo do parlamento fluminense, revelou esses detalhes.

Investigada por ligações com uma milícia que domina seu reduto eleitoral na Zona Oeste do Rio, Lucinha deixou claro o destino de suas quatro emendas. A de maior valor, R$ 1 milhão, é destinada ao Fundo Municipal de Saúde da capital para firmar um convênio com a Secretaria Municipal de Envelhecimento Saudável, então comandada por seu filho, Junior da Lucinha. Além de direcionar verba do estado para o órgão controlado por seu herdeiro político, a parlamentar definiu que o projeto fosse realizado na Área de Planejamento 5, que inclui os bairros de Campo Grande, Santa Cruz e Sepetiba, onde ambos concentram suas campanhas. Os outros projetos também beneficiam a mesma região.

Com informações de O Globo.

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