Zinho afirmou em depoimento que Lucinha era chamada de ‘madrinha’ na milícia e que havia encontros na Alerj

Em diálogos interceptados dois meses antes da denúncia, Lucinha combinou diretamente com Domício Barbosa outros encontros, um dos quais ocorreu em seu gabinete na Alerj

O miliciano Luís Antônio da Silva Braga, conhecido como Zinho, que se entregou às autoridades na véspera do Natal de 2023, admitiu em depoimento que a deputada Lúcia Helena Pinto, a Lucinha (PSD), era chamada de “madrinha” dentro da organização criminosa que ele lidera na Zona Oeste do Rio de Janeiro, área que também constitui o reduto eleitoral da parlamentar. Lucinha foi denunciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, acusada de ser o braço político da milícia.

A denúncia, assinada pelo procurador-geral de Justiça Luciano Mattos, detalha diversos encontros entre Lucinha e o miliciano Domício Barbosa de Souza, conhecido como Dom, que ocorreram na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

As interceptações telefônicas revelam que Ariane Lima, assessora de Lucinha também denunciada, solicitou que fosse confeccionado um crachá para Domício em novembro de 2021. Apesar das acusações, Lucinha nega envolvimento com a milícia.

Segundo a denúncia, Domício Barbosa e Lucinha, ou sua assessora Ariane, se encontraram pessoalmente pelo menos dezessete vezes, mantendo uma média de dois encontros mensais. Alguns desses encontros também incluíram a presença de outros membros da organização criminosa, incluindo Zinho, que exerce controle sobre as vans na área dominada pela milícia.

Em diálogos interceptados dois meses antes da denúncia, Lucinha combinou diretamente com Domício Barbosa outros encontros, um dos quais ocorreu em seu gabinete na Alerj, para discutir a situação na Zona Oeste do Rio, controlada pela milícia. Domício encaminhou a confirmação do encontro a Andrei Santos de Melo, considerado o braço-direito de Zinho.

Em outubro de 2021, segundo o Ministério Público, Andrei Santos pediu a Domício que entrasse em contato com Lucinha para alinhar assuntos com André Ceciliano, então presidente da Alerj. Ceciliano, em nota, afirmou desconhecer qualquer atuação de Lucinha em prol da milícia e negou ter recebido qualquer pedido de atuação em benefício do grupo ou ter se reunido com seus integrantes.

O Conselho de Ética da Alerj deve decidir hoje o futuro da deputada Lucinha, que responde a um processo por quebra de decoro parlamentar.

A sessão será secreta, mas nos bastidores do Legislativo o arquivamento do caso é dado como certo por muitos deputados, que acreditam na falta de materialidade das provas contra Lucinha. Membros do Conselho incluem Júlio Rocha (Agir) como presidente, Martha Rocha (PDT) como vice-presidente, Vinicius Cozzolino (União) como relator, e Jorge Felippe Neto (Avante), Dani Monteiro (PSOL), Renato Miranda (PL) e Cláudio Caiado (PSD) como integrantes, além dos suplentes Dionísio Lins (PP) e Andrezinho Ceciliano (PT). Alguns ponderam que um novo processo poderá ser instaurado caso surjam novas provas.

Em nota, Lucinha reitera sua inocência e afirma que nunca teve envolvimento com atividades criminosas, atribuindo as acusações a perseguições políticas e inimizades pessoais.

Com informações de O Globo.

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