A Polícia Federal (PF) abriu até esta quarta-feira (18) um total de 85 inquéritos para investigar suspeitas de queimadas criminosas em todo o país. As investigações estão sendo conduzidas por diversas superintendências e delegacias regionais, com a Diretoria de Amazônia e Meio Ambiente da PF em Brasília coordenando as ações. Essa diretoria, criada no início do atual governo, busca proporcionar uma visão global do andamento dos inquéritos.
O aumento no número de investigações nesta semana ocorreu porque a PF passou a incluir também os inquéritos que envolvem crimes de incêndio previstos no Código Penal, além dos crimes ambientais. Na semana passada, a corporação havia indicado 52 casos. As investigações estão em andamento em vários estados, incluindo Amazonas, Roraima, Pará, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo.
A corporação já identificou que a maioria dos casos teve como origem a ação humana. O que os investigadores tentam descobrir, agora, é quais ações foram culposas ou dolosas. Ou seja, se houve intenção ou não de cometer o crime. Uma vez sendo dolosa, os investigadores buscam entender qual é a motivação do crime.
Uma das principais linhas investigadas, segundo o diretor de Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, é a de “vingança contra a intensificação de combate aos crimes ambientais”.
O delegado cita como exemplo uma única operação neste ano que destruiu 422 dragas que atuavam ilegalmente no Rio Madeira. No ano passado, 770 dragas foram destruídas em ações que contaram com a participação da PF.
— O garimpo ilegal tem sido foco do nosso trabalho e pode, sim, ser uma retaliação dos criminosos ambientais, que têm sido intensamente combatidos. Com a intenção de gerar fatos criminosos e caos na situação ambiental e climática do nosso país — destacou.
A PF investiga, além da autoria, se os incêndios estão relacionados a outros crimes, como lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Apesar do número crescente de inquéritos, até o momento ninguém foi preso. A PF, no entanto, acredita que as prisões começarão a ser feitas a partir do momento em que houver avanço da apuração.
Para isso, os investigadores têm apostado numa ferramenta de imagens por satélite para identificar o ponto específico onde cada foco de chamas começou e, dessa forma, tentar chegar aos suspeitos.
— Nessa ferramenta a gente consegue fazer a cronologia desses incêndios e ver onde eles iniciaram e, a partir daí, fazer um trabalho de perícia de campo e outras diligências naquele local para identificar não só a origem, mas as pessoas que deram origem. Além disso, isso nos ajuda a desenvolver todo um trabalho de investigação para, a partir daí, descobrir a motivação — completou.
Humberto Freire destacou que a PF tem realizado uma parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU) para cobrar civilmente os infratores pelos danos ambientais causados pelos incêndios. — Se antigamente a gente buscava aferir o dano levantando em conta os custos da madeira queimada ou o valor gasto para recompor a área, por exemplo, evoluímos para estimar os serviços que a área prestava à humanidade, como com captação de carbono — acrescentou.
Com informações de O Globo.





