PF já abriu 31 inquéritos para investigar se queimadas pelo Brasil são criminosas; Marina Silva diz que incêndios em SP são “atípicos”

Ministra do Meio Ambiente afirmou que há focos concomitantes em vários locais, e relembrou “dia do fogo”, que assolou Pará em 2019

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou neste domingo (25) que os incêndios registrados no interior de São Paulo são atípicos e precisam ser investigados. Segundo Marina, há queimadas no interior paulista, no Pantanal e na Amazônia.

O tempo seco e o vento contribuíram para que diferentes cidades do país amanhecessem cobertas por fumaça, como Ribeirão Preto (SP), Uberlândia (MG) e Brasília.

“Tem uma situação atípica. Você começa a ter em uma semana, praticamente em dois dias, vários municípios queimando ao mesmo tempo. Isso não faz parte da nossa curva de experiência na nossa trajetória de tantos anos de abordagem do fogo”, disse Marina.

“Do mesmo jeito que nós tivemos o ‘dia do fogo’, há uma forte suspeita de que agora esteja acontecendo de novo”, afirmou, acrescentando que há focos de incêndio no Pantanal, na Amazônia e no interior paulista.

O “dia do fogo”, mencionado pela ministra, foi marcado por uma série de incêndios criminosos registrados em agosto de 2019 no Pará.

“Em São Paulo não é natural, em hipótese alguma, que, em poucos dias, você tenha tantas frentes de incêndio envolvendo concomitantemente vários municípios. Mas obviamente isso aí são as investigações que vão dizer”, afirmou a ministra.

A Polícia Federal abriu dois inquéritos para apurar as causas das queimadas no interior do estado de São Paulo. A competência federal para investigar esses incêndios foi justificada pelo prejuízo causado ao funcionamento dos aeroportos de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.

“Só a investigação vai poder identificar o que está por trás dessas ações”, disse o diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues. Segundo o delegado, serão usadas imagens de satélite para identificar os pontos iniciais dos incêndios.

A PF mobilizou 14 delegacias localizadas no estado de São Paulo e a diretoria de Meio Ambiente para acompanhar a situação dos incêndios no interior paulista.

As declarações das autoridades foram dadas em Brasília nesta tarde após a ministra do Meio Ambiente e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitarem a central de monitoramento de incêndios florestais que fica na sede do Ibama, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

“Dia do fogo”

O “dia do fogo” ao qual Marina Silva se referiu foi registrado em agosto de 2019 no Pará. A PF descobriu posteriormente que houve combinação, por meio de redes sociais, para incêndios florestais concomitantes nos municípios de Altamira e Novo Progresso, sudoeste do Pará.

Em grupos de mensagens, fazendeiros, empresários e produtores rurais teriam combinado a realização de queimadas, segundo a apuração. Para a ação criminosa, alguns teriam colaborado com dinheiro para compra de óleo diesel e gasolina, enquanto outros teriam participado da execução.

Houve aumento de 300% nos focos de incêndio em Altamira e Novo Progresso no dia 10 de agosto de 2019.

Na ocasião, os efeitos do fogo foram sentidos em várias partes do país, como acontece neste domingo. Hoje, a capital federal amanheceu coberta por uma fumaça densa. As autoridades recomendaram que os moradores adotem cuidados com a saúde. O tempo seco desta época do ano e os ventos fortes ajudam o fogo e a fumaça a se espalharem.

Já são 31 inquéritos abertos pelea PF

A Polícia Federal (PF) já abriu cerca de 31 inquéritos para investigar os incêndios que atingem a Amazônia, o Pantanal e, agora, o estado de São Paulo. Segundo o diretor-geral do órgão, Andrei Rodrigues, durante coletiva realizada neste domingo (25/8), ainda é cedo para “afirmar o envolvimento do crime organizado” nas ações relacionadas aos fogos.

“Nós trabalhamos de maneira bem integrada, com Ibama, ICMbio e outras agências parceiras”, afirmou o diretor-geral da PF.

Andrei informou que 15 delegacias foram mobilizadas no interior de São Paulo, sob coordenação da Diretoria de Amazônia e Meio Ambiente em Brasília, para identificar a “questão envolvendo as queimadas” no estado.

Ao todo, 29 inquéritos estão em andamento sobre a Amazônia e o Pantanal, enquanto dois são referentes ao estado de São Paulo, sendo formalizado um processo dentro da Polícia Federal.

De acordo com o diretor, um inquérito já foi instaurado em São Paulo e o segundo está em fase de instauração, ambos com o fim de investigar incêndio criminosos que afetam áreas federais, como aeroportos.

A operação da sala de situação envolve diversos órgãos governamentais, como Ibama, ICMBio, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ministério da Defesa, Marinha e os Corpos de Bombeiros dos estados.

Com informações do g1 e Metrópoles.

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