Polícia faz operação contra suposto esquema de compra de apoio político em Japeri

Operação apura oferta de R$ 400 mil, distribuição de cargos e possível uso de servidores fantasmas para formar maioria na Câmara Municipal

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta sexta-feira (21), uma operação para investigar um suposto esquema de corrupção envolvendo vereadores e integrantes da estrutura administrativa da Câmara Municipal de Japeri, na Baixada Fluminense. Segundo as investigações, vantagens financeiras e cargos públicos teriam sido oferecidos com o objetivo de formar uma maioria parlamentar favorável ao afastamento da prefeita Fernanda Machado Ontiveros.

Batizada de Operação Preço do Poder, a ação apura suspeitas de corrupção ativa, corrupção passiva e extorsão. Entre os investigados estão os vereadores Rogério Gomes Castro e Mateus Coutinho Ferraz. Agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) cumprem mandados de busca e apreensão em endereços relacionados a três alvos.

Oferta de R$ 400 mil entra na mira

Um dos principais elementos levantados durante a investigação é a suposta promessa de pagamento de R$ 400 mil para que um parlamentar permanecesse alinhado ao grupo político investigado. A Polícia Civil também analisa conversas obtidas a partir de dados telemáticos.

Em uma das mensagens, segundo a apuração, um vereador teria relatado dificuldades financeiras a um assessor parlamentar e solicitado ajuda em diferentes momentos, incluindo um pedido de R$ 14 mil. Em outra conversa, teria advertido que, caso o auxílio não fosse providenciado, “vai dar ruim aqui”.

Os investigadores identificaram ainda uma conversa na qual o parlamentar teria mencionado a oferta dos R$ 400 mil e afirmado que o dinheiro resolveria seus problemas financeiros. O homem apontado como responsável pela suposta proposta havia sido nomeado, dias antes, para um cargo em comissão na Câmara.

Cargos e suspeita de servidores fantasmas

A investigação também tenta esclarecer se a estrutura administrativa do Legislativo municipal teria sido utilizada para garantir vantagens aos envolvidos. Uma das hipóteses apuradas é a existência de “servidores fantasmas” indicados por vereadores beneficiados pelo esquema.

De acordo com os elementos reunidos até agora, pessoas indicadas para esses postos receberiam salários superiores a R$ 10 mil mensais sem efetivamente prestar os serviços correspondentes. A suspeita ainda está sob investigação e deverá ser aprofundada a partir do material recolhido durante a operação.

Entre os três alvos das buscas está um homem nomeado para cargo comissionado que, segundo a investigação, teria funcionado como intermediário operacional e financeiro das vantagens oferecidas aos parlamentares.

Polícia busca celulares e documentos

A apuração começou após o registro de uma ocorrência sobre supostas articulações entre agentes políticos para obtenção de vantagens patrimoniais indevidas e cooptação de vereadores. Com os indícios reunidos, a DRCI solicitou à Justiça autorização para realizar as buscas.

Os policiais procuram celulares, computadores, tablets, documentos, dispositivos de armazenamento e outros materiais que possam esclarecer como o suposto esquema funcionava e apontar a eventual participação de outras pessoas.

A investigação permanece em andamento e, nesta fase, as suspeitas apuradas pela Polícia Civil não representam conclusão sobre a responsabilidade dos investigados.

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