Polícia desmantela quadrilha que furtava carros de luxo para traficantes da Maré

Grupo usava dispositivos eletrônicos e recebia treinamento da facção Nova Holanda para abrir e acionar veículos em menos de três minutos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticulou uma organização responsável por furtos de carros de luxo de grande porte destinados a traficantes da comunidade Nova Holanda, no Complexo da Maré. As investigações foram conduzidas pela 15ª DP (Gávea.

Dois homens apontados como integrantes do bando foram presos nesta segunda-feira por agentes da delegacia. Fagner Yúri de Jesus Siqueira, conhecido como Pitoco, de 22 anos, e Matheus Ferreira Vasconcelos, o Coxinha, de 24, foram localizados na Barra da Tijuca após cruzamento de dados de inteligência. A captura ocorreu graças ao monitoramento prévio realizado pelos policiais, informou o Bom dia Rio.

Tecnologia e monitoramento dos alvos

Segundo os investigadores, a quadrilha agia em grupo e acompanhava a rotina dos proprietários antes da execução dos crimes. Para acessar os automóveis, os suspeitos utilizavam equipamentos eletrônicos de alta tecnologia — como decodificadores e emuladores de chave — adquiridos pela internet. Esses dispositivos permitiam a abertura e o acionamento da ignição em poucos minutos.

Os veículos eram negociados em grupos de mensagens por valores entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, bem abaixo do preço de mercado, o que facilitava o escoamento para o tráfico. A facção criminosa, de acordo com a polícia, também alugava os aparelhos aos furtadores e oferecia “cursos” para que aprendessem o método.

Rota para o Paraguai e desmonte

Em entrevista ao telejornal, a delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP, descreveu o destino dos automóveis:
“Em menos de três minutos, os criminosos conseguem entrar no carro e levar para a comunidade, para onde outros carros furtados foram levados. Nesse local, a caminhonete recebe uma outra placa, ela também vai rapidamente para o Paraguai, para ser trocada por armas ou drogas, ou então é desmontada pela facção criminosa, que também usa as peças para revenda para carros que foram batidos, que deram perda total ou algo parecido”.

O relato indica que o esquema alimentava diferentes frentes do crime organizado, seja com a exportação ilegal, seja com o comércio de peças. A DRFA investiga a participação dos presos em dezenas de ocorrências semelhantes registradas pela especializada.

Divisão de tarefas na quadrilha

As diligências desta segunda foram deflagradas após indícios de que o grupo estaria atuando na Barra da Tijuca. Durante patrulhamento na Avenida Lúcio Costa, agentes perceberam comportamento suspeito de homens próximos a um carro estacionado e realizaram abordagem. Foram apreendidos um decodificador de chaves, três celulares e ferramentas.

Na delegacia ficou constatada a estrutura do bando: um integrante fazia o mapeamento da localização dos utilitários; outro era encarregado de abrir e ligar o veículo; e um terceiro vigiava o entorno para alertar sobre a aproximação policial. A dinâmica explicaria a rapidez das ações e a dificuldade de flagrante.

Operação Torniquete

A prisão de Pitoco e Coxinha integra a segunda fase da Operação Torniquete, criada para combater roubo, furto e receptação de cargas e veículos — delitos que financiam facções e disputas territoriais. Desde setembro de 2024, mais de 740 pessoas foram presas e bens recuperados somam quase R$ 45 milhões, além de R$ 70 milhões em bloqueio patrimonial. As ações, segundo a polícia, são contínuas.

Fagner e Matheus vão responder por associação para o tráfico de drogas e tentativa de furto qualificado. O espaço segue aberto para manifestações das defesas.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading