Polícia Civil busca traficantes que torturaram e filmaram mulheres em São Gonçalo

Agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cumprem 28 mandados de busca e apreensão na comunidade Risca-Faca

Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) realizaram, nesta terça-feira (2), uma operação contra traficantes investigados pela tortura de duas mulheres na comunidade do Risca-Faca, no bairro Maria Paula, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Até o momento, três pessoas foram presas.

Entre eles está o traficante Flávio Vieira Bento, conhecido como Mumu, apontado pela polícia como uma das principais lideranças do tráfico no Risca-Faca. Segundo as investigações, ele teria ordenado a tortura das vítimas mesmo estando preso. Os agentes cumpriram o mandado dentro do Complexo de Bangu.

Na comunidade, foram presos Filipe Lopes do Santos e Lucas Dávila, identificados como participantes diretos das agressões. Os dois seguiram para a Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio. Os agentes também buscam cumprir 28 mandados de busca e apreensão.

Investigados por tortura

Conforme a Polícia Civil, a ação tem como alvo investigados por crimes de tortura, tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo e exercício de domínio territorial armado na região. Agentes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) também participam da operação.

As investigações tiveram início após a divulgação de um vídeo no dia 18 de maio. Na ocasião, duas mulheres foram submetidas a sessões de tortura pelos traficantes. Os criminosos agrediram as vítimas, rasparam seus cabelos e obrigaram-nas a percorrer ruas da comunidade enquanto pediam desculpas aos integrantes da facção.

Durante buscas, policiais encontraram as máquinas de cortar cabelo utilizadas no crime | Crédito: Divulgação/ Polícia Civil

Os envolvidos ainda filmaram e divulgaram as agressões nas redes sociais. De acordo com os investigadores, as imagens foram utilizadas como forma de intimidação aos moradores pelo chamado “Tribunal do Crime”.

Os agentes ouviram depoimentos, analisaram as imagens e cruzaram dados para identificar os agressores, apurando que as ordens para a tortura partiram de lideranças da facção.

A polícia investiga se as vítimas foram acusadas pelos criminosos de aplicar golpes usando supostas ligações com o tráfico de drogas. Uma das mulheres, porém, nega a acusação.

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