O bairro do Leblon, um dos mais valorizados do Rio de Janeiro, virou palco de uma disputa judicial e social. O escritório dos advogados Rodrigo Falk Fragoso e Pedro Henrique Martins Nunes protocolou uma notícia-crime no Ministério Público contra a construtora Mozak, responsável pelo edifício “Guilhem”, que está sendo erguido na Rua Almirante Guilhem. O projeto prevê 115 apartamentos com metragens entre 32 m² e 77 m². As informações são do repórter Ancelmo Gois, em O Globo.
Acusações de irregularidades na construção
De acordo com os advogados, a empresa estaria cometendo irregularidades, já que o empreendimento não teria obtido licença, o memorial de incorporação não teria sido registrado em cartório e o projeto arquitetônico ainda não teria sido aprovado pelos órgãos competentes. O caso pode ser o início de uma reação maior de moradores contrários à verticalização e à construção de prédios com apartamentos menores na região.
Revolta com a mudança do perfil do bairro
Parte dos moradores do Leblon alega que os novos empreendimentos com unidades compactas ameaçam a identidade tradicional do bairro, conhecido por seu ambiente familiar e pela convivência próxima entre vizinhos. Eles também apontam preocupações com o aumento do trânsito e a saturação da infraestrutura local.
Cartazes nas ruas e protestos contra a obra
A polêmica ganhou as redes e chegou às ruas. A colunista Lu Lacerda, da Veja Rio, publicou fotos de cartazes afixados por moradores com frases como “Leblon pede socorro” e “Querem destruir o Leblon”. Os protestos refletem o temor de que o bairro perca suas características históricas diante do avanço de novos modelos de moradia.
Construtora nega irregularidades e fala em preconceito social
Em nota, a Mozak afirmou que a obra está totalmente regular e segue todas as normas legais. A incorporadora classificou as críticas como motivadas por “preconceito social” e “desinformação”.
“Alguns moradores têm se mobilizado contra o empreendimento com base em argumentos discriminatórios. A empresa lamenta que uma iniciativa que valoriza a cidade esteja sendo alvo de ataques motivados por preconceito social”, diz o comunicado.
Disputa expõe conflito entre modernização e tradição
A discussão em torno do edifício “Guilhem” escancara um conflito que vai além da legalidade da obra: o choque entre a modernização urbana e o desejo de preservar o estilo de vida de um dos bairros mais tradicionais do Rio. Enquanto a construtora defende a democratização do acesso à moradia na zona sul, parte dos moradores teme ver o Leblon transformado por um novo perfil de ocupação.






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