Acusados de agredir e torturar um colega durante o curso de formação do Batalhão de Choque, pelo menos 14 policiais militares foram presos nesta segunda-feira no Distrito Federal. A ação ocorreu após denúncia de Danilo Martins, de 34 anos, participante do curso, que relatou ter sido agredido por se recusar a desistir da formação.
A operação foi conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça Militar do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), juntamente com a Corregedoria-Geral da Polícia Militar (PMDF). Dos 15 mandados de prisão expedidos, 13 foram cumpridos até as 11h, e um dos suspeitos se comprometeu a se apresentar com o advogado na Corregedoria da PMDF.
O promotor de Justiça Flávio Milhomem, responsável pelo caso, explicou que medidas cautelares e prisão foram solicitadas após a instauração do inquérito policial militar (IPM). A juíza deferiu os pedidos na sexta-feira (26), autorizando os mandados de prisão e busca e apreensão, que foram executados nesta segunda.
Os policiais presos estão detidos no 19º Batalhão da PM, no Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto aguardam o desfecho do IPM. O promotor ressaltou que há suspeita de tortura e que o MPDFT aguarda a conclusão das investigações para oferecer denúncia e pedido de ação penal, se as agressões forem confirmadas.
Segundo depoimento de Danilo à Corregedoria da PMDF e à Promotoria de Justiça Militar, as agressões começaram após ele se recusar a desistir do curso. Ele foi submetido a diversas formas de violência física e psicológica, incluindo ficar em pé em um caixote de concreto por cerca de 1h30, ser molhado, xingado, e forçado a cantar enquanto era agredido com um pedaço de madeira.
Danilo chegou a ser internado na UTI com rabdomiólise grave, condição resultante da agressão muscular, que comprometeu seus rins. Familiares relataram que as agressões duraram cerca de oito horas e que ele foi submetido a chutes e pauladas em diversas partes do corpo.
As autoridades estão conduzindo uma investigação rigorosa sobre o caso, que levantou sérias preocupações sobre a conduta dos policiais envolvidos.
Com informações do Metrópoles





