Quatro agentes de segurança pública — três policiais militares e um guarda municipal — foram presos no Amazonas sob suspeita de estuprar uma mulher indígena da etnia kokama dentro de uma delegacia em Santo Antônio do Içá, município localizado na região do Alto Solimões.
De acordo com o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), os abusos ocorreram de forma contínua ao longo de nove meses. Durante esse período, a vítima esteve presa com o filho recém-nascido em um espaço inadequado, compartilhado com homens. Os relatos apontam que, além dos estupros, a mulher foi alvo de tortura, humilhações e ameaças por parte dos acusados.
Os mandados de prisão foram cumpridos nas cidades de Manaus, Tabatinga e Santo Antônio do Içá. Outros dois PMs também foram identificados como envolvidos no caso e, segundo o MP, devem se entregar nas próximas horas.
Relatos de violência e omissão
Em depoimento prestado na sexta-feira (25), a vítima detalhou os abusos físicos e psicológicos sofridos durante o cárcere. Ela relatou que um dos policiais, inclusive, frequentava a delegacia mesmo fora do expediente e embriagado, obrigando-a a manter relações sexuais. Parte das agressões acontecia à noite, com o filho presente, ainda bebê.
Segundo a defesa da mulher, após o nascimento da criança, ela não recebeu qualquer tipo de assistência médica ou apoio psicológico. A amamentação teria ocorrido em condições insalubres, o que foi descrito no processo como “prova cabal do descaso do Estado com a dignidade humana e com a proteção integral à criança e ao adolescente”.
Vítima recebe tratamento psiquiátrico e psicológico
Após ser transferida para a Cadeia Pública Feminina de Manaus, a violência não cessou. A mulher afirma que policiais militares teriam ido até a casa de sua mãe, em Santo Antônio do Içá, para intimidá-la. A sequência de traumas levou a vítima a desenvolver um quadro depressivo, exigindo hoje acompanhamento psiquiátrico e psicológico.
Ação judicial e pedido de reparação
Além do inquérito criminal conduzido pelas autoridades estaduais, a vítima ingressou com uma ação cível contra o Estado do Amazonas. A defesa solicita indenização por danos morais e materiais no valor de R$ 500 mil, com base em laudos e provas que sustentam as denúncias.
O caso gerou forte comoção entre organizações indígenas e entidades de direitos humanos, que cobram medidas efetivas para garantir a responsabilização dos autores e a reparação à vítima. O MP-AM classificou o episódio como uma grave violação dos direitos humanos, especialmente por ter ocorrido dentro de uma estrutura que deveria garantir a proteção e a legalidade.






Deixe um comentário