PM que matou mulher inocente no Alemão queria acertar uma colega de farda que achou que era criminosa

O episódio da morte de uma civil inocente durante ocupação do Alemão pela polícia, semana passada, revela despreparo do policial que cometeu o crime. Um cabo da PM tentava acertar tiros numa colega de farda, que havia confundido com uma crimininosa, e acabou acertando a civil, que passava pelo local em outro carro. A noticia…

O episódio da morte de uma civil inocente durante ocupação do Alemão pela polícia, semana passada, revela despreparo do policial que cometeu o crime. Um cabo da PM tentava acertar tiros numa colega de farda, que havia confundido com uma crimininosa, e acabou acertando a civil, que passava pelo local em outro carro.

A noticia é do Extra.

Letícia Marinho Sales, de 50 anos, morta durante a operação conjunta das polícias Civil e Militar no Complexo do alemão no último dia 21, não foi baleada num confronto entre PMs e traficantes do complexo de favelas. O inquérito sobre o homicídio aponta que o tiro que matou a mulher foi disparado por um PM que confundiu uma colega de farda com um criminoso e atirou em sua direção. 

Letícia, que não morava no Alemão e foi até a região visitar as filhas e uma amiga pastora, estava na linha de tiro e foi atingida no peito. Ao todo, 18 pessoas morreram em dois dias de operação no Alemão.

O cabo Eduardo Nunes Rodrigues Junior, lotado na UPP Parque Proletário, foi o autor do disparo que atingiu Letícia. Em depoimento na Delegacia de Homicídios (DH), Rodrigues Junior afirmou que integrava uma equipe de agentes que reforçava o policiamento no entorno do Alemão naquela manhã. Ele estava baseado na Estrada do Itararé, um dos acessos ao complexo de favelas, em frente ao Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes, quando viu dois veículos pararem lado a lado num sinal de trânsito a sua frente. Um deles era o Chevrolet Prisma ocupado por Letícia e mais dois parentes.

O outro era um Hyundai i30 de cor prata, do outro lado da pista. Segundo Rodrigues Junior, ele viu uma pessoa armada colocar o corpo para fora do i30, achou que se tratava de um criminoso e deu 12 tiros com o fuzil que portava. O cabo disse não ter ouvido a pessoa armada se identificar e, por isso, atirou.

Um dos disparos atingiu o retrovisor do Prisma que estava à frente e, em seguida, acertou Letícia. A mulher foi socorrida pelo namorado, que dirigia o carro, para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão, mas já chegou morta à unidade de saúde.

Quem ocupava o banco do carona do i30 e portava uma pistola, no entanto, era uma policial militar: a soldado Geniffer dos Santos Nunes, lotada na UPP Alemão. Na DH, Geniffer disse que estava deixando o serviço na favela e pegou uma carona com um colega para ir até a base da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), que fica fora do Complexo do Alemão, para que ela pudesse pedir um carro por aplicativo para voltar para casa.

O i30 prata, portanto, era o carro particular de outro policial, que estava no banco do motorista. Quando o carro parou no sinal ao lado do Prisma onde estava Letícia, Geniffer estava fardada.

Ela afirmou que, ao ver um dos agentes da viatura baseada olhar para o carro, o motorista abriu os vidros e ela colocou o corpo para fora dizendo que era policial. Mesmo assim, o cabo Rodrigues Junior fez os disparos. Além de Letícia, o motorista do i30, identificado como o PM Sérgio Rodrigues, também foi baleado na perna esquerda.

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