O novo plano político do Partido dos Trabalhadores para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou contornos mais duros na área econômica e social. O documento, que será debatido no congresso da sigla em Brasília, reforça críticas ao Banco Central, propõe o banimento de jogos considerados “predatórios”, como o chamado “Tigrinho”, e amplia a agenda de medidas voltadas à renda e ao consumo.
O texto ainda pode sofrer alterações, mas já indica as diretrizes que devem orientar o programa de governo e a estratégia eleitoral do petista.
Pressão sobre o Banco Central
Um dos principais alvos do documento é o comando do Banco Central, hoje sob liderança de Gabriel Galípolo. Integrantes do partido criticam o ritmo de redução da taxa básica de juros, considerado lento.
O texto afirma que é necessário “construir uma alternativa à captura estrutural do Banco Central pelos agentes rentistas”, defendendo mudanças na governança da instituição.
A proposta mantém a autonomia técnica da autoridade monetária, mas sugere maior alinhamento com o que chama de interesses da maioria da população.
Juros e modelo econômico em debate
O documento também critica o patamar atual da taxa Selic, classificada como uma das mais altas do mundo, e propõe uma meta permanente de juros em um dígito.
A ideia, segundo o texto, é redirecionar o sistema financeiro para o financiamento da produção e do consumo, rompendo com o que o partido define como lógica especulativa.
Além disso, o PT defende alterações na Lei de Responsabilidade Fiscal, com o objetivo de combinar equilíbrio das contas públicas com crescimento econômico e justiça social.
Tigrinho e apostas na mira
Outro ponto central das propostas é o combate às apostas online. O documento defende o banimento de plataformas consideradas predatórias, citando diretamente o “jogo do Tigrinho”.
“Nosso Programa de Governo assume o compromisso de banir essas práticas que destroem o patrimônio das famílias brasileiras”, afirma o texto.
Para as apostas que continuarem autorizadas, a proposta é a aplicação de um imposto seletivo elevado, superior ao cobrado sobre produtos como tabaco e álcool.
Tarifa zero e agenda social
Na área social, o plano inclui a proposta de implementação gradual da tarifa zero no transporte público, vista como instrumento de redistribuição de renda.
“A implementação progressiva da Tarifa Zero no transporte público é uma medida concreta de redistribuição de renda”, aponta o documento.
A medida é apresentada como forma de estimular economias locais e ampliar o acesso da população aos serviços urbanos.
Big techs, energia e democracia
O texto também aborda a regulação de plataformas digitais, com defesa de maior transparência e proteção de direitos trabalhistas na economia digital.
Na área energética, o partido menciona a exploração de petróleo em regiões como a Margem Equatorial, defendendo um modelo que combine desenvolvimento e preservação ambiental.
Outro eixo central é a retomada da chamada frente ampla em defesa da democracia, reunindo diferentes setores da sociedade.
As propostas serão discutidas durante o congresso do partido, que reúne cerca de 600 delegados. Ao final, um manifesto deve consolidar as diretrizes da campanha.
A decisão de adiar a elaboração de um novo programa partidário para 2027 foi tomada para evitar disputas internas e concentrar esforços na eleição.
Após a aprovação, o documento ainda passará pela avaliação da coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, que poderá ajustar pontos antes de negociar a agenda com partidos aliados.






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