A exoneração de servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) expôs uma disputa política em curso nos bastidores da Casa. A medida, formalizada em edição extra do Diário Oficial na terça-feira (06), ocorreu em meio a articulações do PL para sustentar a permanência de Guilherme Delaroli na presidência interina da Alerj e a discussões sobre os próximos passos institucionais após o afastamento de Rodrigo Bacellar (União Brasil).
As informações dão conta que o presidente estadual do Partido Liberal, Altineu Côrtes, reuniu-se com a bancada da Alerj na própria terça-feira. O encontro, segundo relatos, teve como objetivo alinhar a legenda em torno da manutenção de Delaroli na presidência da Casa e preparar o terreno para um eventual cenário de eleição interna.
A canetada do presidente em exercício inclui pessoas ligadas a Sérgio Cabral, Paulo Melo e André Ceciliano ex-presidentes da Casa, ao ex-governador Wilson Witzel e até ao governador Cláudio Castro. Entre eles, Marco Antônio Neves Cabral e Suzana Neves Cabral, filho e ex-esposa de Sérgio Cabral.
Pressão sobre Bacellar
Interlocutores afirmam que o pano de fundo das exonerações é a tentativa de construir respaldo político para uma possível renúncia de Bacellar do cargo de presidente. A saída voluntária é apontada como o único caminho formal para abrir a disputa pelo comando da Assembleia.
Pelas regras internas, qualquer vaga na Mesa Diretora precisa ser preenchida em até cinco sessões, por meio de votação entre os deputados. Podem concorrer parlamentares com mais de 30 anos, exigência vinculada ao fato de que o presidente da Casa integra a linha sucessória do governo estadual.
Delaroli amplia espaço
Desde o afastamento de Bacellar por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Delaroli ocupa interinamente a presidência da Assembleia. Aliados avaliam que, caso a eleição seja deflagrada, ele ganha margem para articular apoios políticos.
A solução inicial após o afastamento foi considerada protocolar, mas, nos bastidores, o PL passou a defender que o deputado de Itaboraí não apenas permaneça no cargo agora, como também seja o nome do partido para comandar a Casa na próxima legislatura, a partir de 2027.
A maior bancada da Alerj, o PL conta com 18 deputados, número insuficiente para garantir sozinho a recondução de Delaroli. Para vencer uma eleição interna, seriam necessários 36 votos, maioria absoluta dos 70 parlamentares.
A avaliação interna é que a manutenção de cargos estratégicos amplia o poder de negociação do interino, inclusive junto a aliados de Bacellar que, em uma disputa aberta, poderiam se afastar da orientação formal da legenda.
Parlamentar nega reunião
Um deputado, porém, negou que tenha ocorrido a reunião relatada nos bastidores e afirmou que qualquer debate sobre a presidência da Casa ainda é prematuro. Segundo ele, “o PL tem três grandes líderes no Rio de Janeiro, Altineu, Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro, sendo este o mais ligado ao Parlamento.
“É muito prematuro falar de presidência, seja de agora ou de 2027. Porém, se em algum momento isso acontecer, passa por uma conversa de toda a bancada, com o presidente Altineu, com o presidente Flávio e, em especial, com o governador. Todos os deputados devem ter voz e voto, pois trata-se da nossa Casa”.
Clima interno e discurso político
A permanência de Delaroli no comando interino é vista como uma alternativa estável diante da crise institucional enfrentada pela Assembleia. A leitura é que qualquer solução fora desse arranjo ampliaria a imprevisibilidade política às vésperas de um ciclo decisivo para o estado.
Ainda assim, as exonerações elevaram a tensão entre os deputados e mobilizaram aliados de Bacellar a defendê-lo de que uma renúncia neste momento seria o melhor caminho. Ao mesmo tempo, Delaroli tem buscado demonstrar controle sobre a Casa.
Parlamentares relatam que, embora enfrente resistências, a postura adotada nas exonerações projeta uma imagem de combate à prática de funcionários fantasmas, discurso que encontra ressonância junto a parte do eleitorado.
Mudança de rota no PL
O desenho atual também indica uma mudança de estratégia. Num primeiro momento, o partido trabalhava com o nome do deputado licenciado e secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, para a presidência da Assembleia. O plano foi revisto quando ele passou a ser tratado como principal aposta do senador Flávio Bolsonaro para a disputa pelo governo do estado.
A definição final ainda depende de um alinhamento no topo da sigla. A cúpula do PL aguarda uma conversa entre Altineu Côrtes, o governador Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro.
O encontro, previsto para ocorrer até o fim do mês, deve selar decisões estratégicas mirando o calendário eleitoral, quando Castro tende a renunciar ao governo para disputar uma vaga no Senado. Nesse cenário, a Assembleia Legislativa passa a ter papel central na eleição indireta para o Palácio Guanabara.






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