Quadrilhas especializadas em pirataria fluvial roubaram cerca de 8,7 milhões de litros de combustíveis na Região Norte entre 2020 e 2026, segundo levantamento do Instituto Combustível Legal (ICL). O volume perdido pelas empresas seria suficiente para encher os tanques de aproximadamente 193 mil carros.
Os ataques são realizados por criminosos em barcos de alta velocidade, que interceptam balsas responsáveis pelo transporte das cargas. Armados, os grupos retiram o combustível dos tanques das embarcações.
Com base no volume desviado, o ICL estima que tenham ocorrido entre 365 e 455 ataques no período analisado. Amazonas, Pará e Rondônia concentram os registros desse tipo de ocorrência.
Roubo de combustível atingiu pico em 2022
O maior volume de combustível roubado foi registrado em 2022, quando cerca de 3,8 milhões de litros foram desviados. Em 2024, não houve ocorrências registradas pelo levantamento.
A pirataria voltou a crescer em 2025, quando aproximadamente 1,2 milhão de litros foram desviados. Em 2026, um único ataque provocou o roubo de 300 mil litros de combustível.
O levantamento considera as perdas provocadas pelos ataques contra as embarcações que transportam combustíveis pelos rios da Região Norte.
Combustível roubado abastece atividades ilegais
Segundo o ICL, o impacto dos ataques não se limita ao prejuízo causado às empresas. Parte do combustível roubado é destinada à economia clandestina e pode abastecer atividades como garimpos ilegais, extração clandestina de madeira, tráfico de drogas e postos irregulares.
O instituto aponta que a atuação conecta a pirataria fluvial ao comércio ilegal e a organizações criminosas que utilizam o combustível desviado em diferentes atividades.
Em nota, o ICL defendeu a criação de um núcleo permanente de segurança no Amazonas, com atuação baseada em inteligência e integração entre órgãos públicos responsáveis pelo combate aos crimes nos rios.
ICL pede reforço nas bases fluviais
O instituto também defende o aumento dos recursos destinados à manutenção e à expansão das chamadas Bases Arpão. As estruturas contam com forças de segurança, armamentos, drones e lanchas blindadas para combater atividades criminosas nos rios.
O ICL foi criado por empresas dos setores de distribuição de combustíveis e petroquímica com o objetivo de estimular medidas contra o comércio irregular. Entre as empresas associadas estão Petrobras, Braskem, Ipiranga, Raízen, Vibra Energia e Shell.







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