Dois dias após o senador Renan Calheiros (MDB-AL) ter apresentado o relatório final da CPI da Covid, com pedido de indiciamento de Jair Bolsonaro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) voltou atrás em um pedido de arquivamento de um inquérito contra o parlamentar, adversário do presidente. Em ação incomum, a PGR disse ao Supremo Tribunal Federal (STF) que houve um “equívoco de tramitação”.
A decisão foi sigilosa e tem a assinatura da subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo. Auxiliar de confiança do procurador-geral da República, Augusto Aras, é apontada como pessoa ligada ao senador Flávio Bolsonaro, que teveum bate-boca com Renan sessão na CPI da Covid.
O inquérito analisado pela PGR apura um suposto esquema de corrupção envolvendo as obras da hidrelétrica de Belo Monte. Em 12 de julho, Lindôra concordou com um pedido da defesa do senador e pediu o arquivamento do inquérito, argumentando que não foram encontradas provas contra Renan e que não havia mais linha investigativa para buscar novos elementos.
Em 22 de outubro, dois dias após o relatório final, Lindôra enviou um novo documento de três páginas ao ministro Edson Fachin, relator do caso, e pediu que o arquivamento não fosse confirmado.
O caso ainda será levado a julgamento na Segunda Turma do STF pelo ministro Edson Fachin.
Não é a primeira vez que a PGR muda posição sobre investigações, de maneira incomum. Em setembro de 2020, Lindôra pediu a desistência de uma denúncia apresentada contra Arthur Lira (PP-AL), que se tornou grande aliado do presidente Bolsonaro na presidência da Câmara.
A PGR também pediu a continuidade de um inquérito, que tinha arquivamento pedido, contra o então presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), que era adversário de Bolsonaro e vinha impondo derrotas ao governo no Congresso.






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