O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, tem intensificado a construção de uma imagem mais moderada em sua estratégia eleitoral. Em material divulgado nas redes sociais neste domingo, sua esposa, Fernanda Bolsonaro, aparece em tom de campanha ao definir o marido como um “Bolsonaro moderado” e afirmar que o “reeducou”.
No vídeo, que intercala momentos da vida pessoal do senador com a rotina familiar, Flávio relembra como conheceu a esposa e exibe cenas ao lado das duas filhas. Em meio à narrativa, Fernanda reforça a tentativa de reposicionamento político do marido, mirando sobretudo o eleitorado feminino e setores menos alinhados ao bolsonarismo tradicional.
“Não é à toa que você é Bolsonaro moderado. Reeduquei ele”, afirmou Fernanda.
“Algumas pessoas começaram a falar que sou um Bolsonaro vacinado. Olhando isso tudo, Deus foi me preparando para esse momento”, respondeu o senador.
Estratégia para reduzir rejeição
Desde que teve sua pré-candidatura lançada, com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro de 2025, Flávio tem buscado se diferenciar parcialmente da imagem mais radical associada ao pai. Embora reforce afinidade ideológica, o senador tem destacado nuances em suas posições.
Em entrevista à Folha de S. Paulo à época, ele afirmou:
“Tenho os mesmos princípios, tenho o sangue Bolsonaro, mas nenhum ser humano é igual ao outro. Em vários momentos, ele tinha um entendimento, eu tinha outro. Ele não quis tomar vacina (contra a Covid), eu tomei duas doses. Muita gente pedia: ‘Bolsonaro, você tem que ser mais moderado’. Sou eu. Bolsonaro mais moderado”.
A tentativa de reposicionamento também aparece em pesquisas recentes. Levantamento Genial/Quaest indica leve mudança na percepção do eleitorado: caiu de 48% para 45% o grupo que vê Flávio como tão radical quanto seus familiares, enquanto a fatia que o considera mais moderado subiu de 38% para 39%, informa O Globo.
Acenos a pautas sociais
Parte da estratégia inclui a incorporação de temas historicamente menos explorados pelo bolsonarismo, como a defesa de pautas ligadas às mulheres. Em março, durante manifestação na Avenida Paulista, Flávio dedicou parte do discurso ao combate ao feminicídio.
“Eu sou casado, pai de duas princesinhas, que são a razão do meu viver. E eu imagino a dor dessas famílias que têm uma mulher agredida ou assassinada por um covarde. E a gente não vai mais tolerar isso neste país. As mulheres serão, de verdade, abraçadas e protegidas, sem hipocrisia”, declarou.
Apesar disso, o movimento tem gerado resistência dentro de sua própria base. Ainda em março, o senador foi criticado por setores da direita após votar a favor de um projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo. A proposta foi aprovada por unanimidade no Senado, mas enfrentou oposição de aliados, incluindo seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que questionou o texto publicamente.
Discurso ampliado e novos públicos
Críticos argumentaram que a medida poderia aprofundar divisões sociais e representar concessões a pautas progressistas. A votação evidenciou o desafio do senador em equilibrar o discurso moderado com a manutenção do apoio de seu eleitorado tradicional.
Além da pauta feminina, Flávio também tem se posicionado em temas de repercussão internacional, como os ataques racistas sofridos pelo jogador Vinicius Júnior na Espanha. A defesa do atleta foi interpretada como mais um gesto de aproximação com agendas de combate à discriminação, embora também tenha provocado reações divergentes entre apoiadores.
Outro movimento nesse sentido foi o uso do Dia Internacional da Mulher para criticar a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tentando combinar oposição política com diálogo em pautas sociais.






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