A Procuradoria-Geral da República (PGR) tem até esta terça-feira (2) para se posicionar sobre um pedido que pode ampliar significativamente o alcance de uma investigação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação dirá se há elementos para incluir o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro no inquérito que apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro junto a autoridades dos Estados Unidos.
A análise foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após uma petição apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que defende a ampliação das apurações para alcançar outros integrantes da família Bolsonaro e possíveis conexões financeiras relacionadas ao caso.
O prazo concedido por Moraes para manifestação da PGR foi de cinco dias úteis. A decisão foi assinada em 25 de maio, e o Ministério Público Federal foi formalmente intimado no dia seguinte.
A expectativa em torno do parecer é grande porque a posição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, poderá influenciar os próximos desdobramentos da investigação e definir se novas diligências serão autorizadas pelo Supremo.
Pedido busca ampliar alcance da investigação
O requerimento protocolado por Lindbergh Farias sustenta que existem elementos que justificariam a inclusão de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro entre os investigados.
Segundo a petição, seria necessário apurar eventuais conexões entre a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, a produção do filme Dark Horse — cinebiografia sobre Jair Bolsonaro — e negociações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O parlamentar também solicita uma série de medidas cautelares e investigativas.
Entre elas estão a apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro, eventual proibição de saída do país, bloqueio de bens e valores, além da realização de rastreamento financeiro de operações consideradas suspeitas.
A petição pede ainda acesso a informações de diversos órgãos de controle e fiscalização, incluindo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Receita Federal.
O objetivo seria identificar possíveis movimentações financeiras envolvendo os investigados, empresas ligadas à produção cinematográfica e instituições mencionadas no pedido.
Filme Dark Horse está no centro da controvérsia
Grande parte da argumentação apresentada ao STF gira em torno do financiamento do filme Dark Horse, projeto cinematográfico que pretende retratar a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo Lindbergh, há indícios que justificariam uma investigação mais aprofundada sobre a origem e a destinação dos recursos discutidos para viabilizar a produção.
O documento sustenta ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro seria, “ao menos inicialmente”, beneficiário direto ou indireto dos fatos investigados.
Para o parlamentar, tanto a produção do filme quanto a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro estariam inseridas em uma estratégia de fortalecimento da imagem política do ex-presidente e de defesa da anistia para investigados e condenados relacionados à tentativa de golpe de Estado.
Moraes cita hipótese de financiamento de ações internacionais
Ao encaminhar o pedido para análise da Procuradoria-Geral da República, Alexandre de Moraes reproduziu parte das alegações apresentadas na petição.
Segundo o documento mencionado pelo ministro, recursos ligados ao financiamento do filme poderiam ter sido utilizados para apoiar a “atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, a campanha de sanções contra autoridades brasileiras, as restrições de vistos, as tarifas contra setores produtivos nacionais e a tentativa de coação no curso do processo para obter a anistia de Jair Messias Bolsonaro e demais condenados nos processos da trama golpista”.
A eventual confirmação ou descarte dessa hipótese poderá influenciar diretamente o rumo da investigação.
Conexão com outro inquérito do STF
O caso também possui ligação com o Inquérito nº 4.995, que já tramita no Supremo Tribunal Federal.
Na semana passada, Paulo Gonet apresentou manifestação nesse procedimento defendendo a condenação de Eduardo Bolsonaro.
Na avaliação do procurador-geral da República, o ex-deputado teria atuado nos Estados Unidos para estimular medidas contra autoridades brasileiras e apoiar iniciativas que poderiam resultar em sanções e restrições econômicas ao Brasil.
A nova petição apresentada por Lindbergh busca justamente ampliar o escopo das investigações já existentes para examinar possíveis conexões financeiras e políticas entre diferentes personagens citados nos autos.
Negociações com Banco Master também entram na mira
Outro eixo das suspeitas envolve reportagens publicadas em maio de 2026 sobre supostas negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar a produção da cinebiografia.
De acordo com a petição encaminhada ao STF, os valores discutidos para o projeto teriam variado entre US$ 24 milhões e US$ 26,8 milhões.
O documento solicita que as autoridades aprofundem a investigação sobre a origem desses recursos e eventuais fluxos financeiros relacionados ao financiamento da obra.
Além disso, Lindbergh pede cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para obtenção de informações financeiras, fiscais e registros de lobby relacionados tanto ao filme quanto à atuação de Eduardo Bolsonaro em território americano.
Possíveis crimes citados no pedido
A petição também requer a apuração de uma série de crimes que, segundo o parlamentar, poderiam estar relacionados aos fatos narrados.
Entre eles estão lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, manutenção de caixa paralelo, organização criminosa e atentado à soberania nacional.
Até o momento, contudo, trata-se de hipóteses apresentadas para análise das autoridades competentes, sem que haja qualquer conclusão judicial sobre os fatos apontados.
Decisão pode definir próximos passos
Com o prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República chegando ao fim, a expectativa agora se volta para o posicionamento de Paulo Gonet.
Caso a PGR entenda que existem elementos suficientes para ampliar as investigações, Alexandre de Moraes deverá analisar o pedido e decidir se Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro passarão formalmente à condição de investigados.
Se a manifestação for contrária à ampliação, o ministro também avaliará os argumentos apresentados antes de tomar uma decisão.
O desfecho dessa etapa poderá determinar o alcance futuro das investigações, incluindo a realização de novas diligências, quebras de sigilo, cooperação internacional e apuração sobre a origem e o destino dos recursos relacionados ao filme Dark Horse e às atividades políticas atribuídas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.






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