A Polícia Federal (PF) prendeu temporariamente o ex-prefeito da cidade gaúcha Lajeado (RS) Marcelo Caumo (União Brasil) nesta quinta-feira (26), durante a segunda fase da operação Lamaçal. A investigação apura supostos desvios de recursos federais destinados à reconstrução do município após a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024.
A prisão temporária tem validade inicial de cinco dias e pode ser prorrogada. A reportagem tentou contato com a defesa do ex-prefeito, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. Na primeira fase da operação, deflagrada em 2025, Caumo havia negado qualquer irregularidade.
Além do ex-prefeito, uma empresária — cuja identidade não foi divulgada — também foi presa.
Investigação sobre recursos da reconstrução
A operação Lamaçal teve a primeira etapa realizada em 11 de novembro do ano passado. Na ocasião, Caumo ocupava o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade no governo Eduardo Leite (PSD). Dois dias após a deflagração da operação, ele pediu exoneração do posto.
Marcelo Caumo governou Lajeado entre 2017 e 2024, período que inclui a enchente histórica do rio Taquari, responsável por devastar bairros inteiros da cidade. O município foi um dos mais atingidos pelo desastre, que levou o rio ao maior nível já registrado.
As apurações concentram-se em supostos desvios de recursos públicos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). Segundo a Polícia Federal, há indícios de irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Lajeado com uma empresa prestadora de serviços. A investigação não envolve a atual gestão municipal.
De acordo com os investigadores, a empresa Arki Serviços teria sido contratada com dispensa de licitação sob justificativa de calamidade pública. A suspeita é de que os valores pagos estariam acima dos praticados no mercado para fornecimento de profissionais terceirizados. Os dois contratos firmados no período investigado somam aproximadamente R$ 120 milhões.
Na fase anterior da operação, a empresa afirmou que colaborava com as investigações e declarou que “reitera seu total compromisso com a ética, a transparência e o cumprimento das leis”.
Mandados e possíveis crimes
Nesta nova etapa da operação, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. As diligências ocorreram nos municípios de Lajeado, Porto Alegre, Encantado, Fazenda Vilanova, Garibaldi, Muçum, Novo Hamburgo e Salvador do Sul.
Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como desvio ou aplicação indevida de recursos públicos, contratação direta ilegal, fraude em licitação, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro.






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