A investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ganhou uma nova frente internacional. A Polícia Federal (PF) pediu formalmente, nesta sexta-feira (9), a cooperação dos Estados Unidos para rastrear o destino dos recursos movimentados pelo fundo Havengate, utilizado para financiar a produção cinematográfica.
O pedido foi encaminhado ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. A iniciativa busca esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro repassado pelo empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, aos responsáveis pelo filme.
Segundo informações divulgadas pelo g1, Vorcaro chegou a transferir R$ 61 milhões aos produtores por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos. Os investigadores pretendem identificar os destinatários finais dos valores e esclarecer como os recursos foram utilizados.
PF recorre a tratado internacional para seguir o dinheiro
A solicitação foi apresentada por meio do Tratado de Assistência Jurídica Mútua, conhecido pela sigla MLAT, instrumento que permite a colaboração entre autoridades brasileiras e norte-americanas em investigações criminais.
Por esse mecanismo, a Polícia Federal pode solicitar informações e documentos às autoridades estrangeiras, respeitando os procedimentos legais dos dois países. A cooperação pode ajudar a reconstruir o percurso financeiro dos recursos movimentados pelo fundo Havengate.
O foco da investigação está no destino do dinheiro. Os investigadores buscam esclarecer como os valores foram distribuídos após os repasses e quem recebeu os recursos destinados à produção.
O encaminhamento do pedido ao Ministério da Justiça representa uma etapa do procedimento de cooperação internacional. A obtenção das informações dependerá da tramitação da solicitação junto às autoridades norte-americanas.
Flávio Bolsonaro teria negociado repasse de US$ 24 milhões
As informações sobre o financiamento também envolvem o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o g1, ele teria participado de negociações com Daniel Vorcaro para viabilizar um repasse de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época, destinado ao filme sobre seu pai.
O valor mencionado nas supostas negociações é superior aos R$ 61 milhões que, conforme as informações divulgadas, foram efetivamente pagos por Vorcaro aos produtores por intermédio do Havengate.
A diferença entre os montantes reforça a importância de distinguir os valores negociados daqueles cuja transferência foi relatada. Até o momento, as informações apresentadas não permitem concluir que a totalidade dos US$ 24 milhões tenha sido desembolsada.
A participação de Flávio Bolsonaro nas negociações é apresentada como informação atribuída à apuração jornalística, e não como conclusão definitiva da investigação policial.
Investigação busca esclarecer destino dos recursos
O pedido de cooperação internacional poderá fornecer novos elementos sobre a movimentação financeira relacionada a “Dark Horse”. Entre as questões que a PF pretende esclarecer está a identificação dos beneficiários dos pagamentos realizados por meio do fundo norte-americano.
A atuação das autoridades dos Estados Unidos é relevante porque parte das operações financeiras ocorreu naquele país. O acesso a registros e informações disponíveis no exterior poderá ajudar os investigadores brasileiros a verificar o percurso dos recursos.
A existência dos repasses e a solicitação de cooperação, por si só, não comprovam a prática de irregularidades pelos envolvidos. O objetivo da apuração é reunir elementos que permitam esclarecer a origem, a movimentação e a destinação do dinheiro.
O caso amplia as investigações relacionadas às operações financeiras de Daniel Vorcaro e acrescenta uma dimensão internacional à apuração sobre o financiamento da produção cinematográfica dedicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fundo já era alvo de suspeitas sobre movimentações nos EUA
Reportagens anteriores da Agenda do Poder mostraram que o Havengate é administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal também apura se parte dos recursos enviados aos Estados Unidos teve destinação diferente daquela prevista para o filme.
Em setembro, informações baseadas em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram sete transferências ao Havengate, que somaram aproximadamente US$ 12,3 milhões. O valor inclui pagamentos posteriores aos R$ 61 milhões inicialmente divulgados.
Flávio Bolsonaro já afirmou que o dinheiro foi utilizado exclusivamente na produção cinematográfica e negou que os recursos tenham beneficiado Eduardo Bolsonaro.







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