A soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos surpreendeu autoridades brasileiras e abriu um novo capítulo nas tratativas para sua possível deportação, informa o portal g1. A Polícia Federal informou que não foi oficialmente comunicada sobre a liberação, ocorrida nesta quarta-feira (16), e ainda busca esclarecimentos sobre os motivos da decisão.
Ramagem havia sido preso na última segunda-feira em Orlando, na Flórida, por questões migratórias. No mesmo dia, foi encaminhado a um centro de detenção no Condado de Orange, onde permaneceu em uma cela separada dos demais detidos.
Dois dias depois, seu nome já não constava nos registros do sistema do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, o ICE. A polícia local confirmou que ele foi liberado às 14h52 no horário local, o que corresponde a 15h52 em Brasília.
A PF vai se reunir nesta quinta-feira (16) com representantes dos Estados Unidos para entender as condições que levaram à soltura do ex-deputado, foragido e condenado.
Falta de comunicação e reação das autoridades
A ausência de notificação formal sobre a soltura gerou preocupação entre autoridades brasileiras. Segundo apuração, o governo federal esperava que Ramagem permanecesse detido enquanto avançavam as negociações para seu retorno ao Brasil.
Condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é apontado como participante da chamada trama golpista. De acordo com a Corte, ele teria utilizado a estrutura da Abin para facilitar ações com o objetivo de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
Diante da liberação, a Polícia Federal aguarda informações oficiais das autoridades dos EUA para entender os desdobramentos do caso e avaliar os próximos passos.
Tentativa de deportação e articulação internacional
Antes da soltura, autoridades brasileiras preparavam um relatório com documentos e informações detalhadas sobre a situação de Ramagem. O objetivo era encaminhar o material ao Enforcement and Removal Operations (ERO), setor responsável por ações relacionadas a estrangeiros em situação irregular nos Estados Unidos.
A estratégia visava acelerar o processo de deportação e impedir que o ex-deputado fosse colocado em liberdade, cenário que acabou se concretizando.
Além disso, o governo brasileiro também atua para evitar a concessão de asilo político ao ex-parlamentar, que já teria formalizado o pedido junto às autoridades estadunidenses.
“Não há necessidade de pedido específico de deportação. No nosso entendimento, caso os argumentos sejam aceitos [contidos no documento], a deportação é automática”, afirmam investigadores envolvidos no caso.
Uma reunião entre representantes da Polícia Federal e autoridades do ICE estava prevista para esta quinta-feira. No entanto, após a soltura, ainda não há confirmação sobre a realização do encontro.
Saída do Brasil e rota até os Estados Unidos
As investigações apontam que Alexandre Ramagem deixou o Brasil em setembro do ano passado por Roraima, atravessando a fronteira com a Guiana de forma clandestina.
Segundo a Polícia Federal, ele teria seguido por via terrestre até Georgetown, capital do país vizinho, de onde embarcou com destino aos Estados Unidos.
O relatório em elaboração deve destacar que a saída do país contou com apoio de uma organização criminosa ligada ao garimpo ilegal, o que pode agravar a situação do ex-deputado perante as autoridades internacionais.






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