A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (18) uma operação de busca e apreensão contra a empresária Roberta Moreira Luchsinger, em sua residência no bairro de Higienópolis, na zona central de São Paulo. Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a medida foi autorizada no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS.
A operação, que se expandiu nos últimos dias, também teve como alvos o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o então secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo Portal, exonerado do cargo após ser preso por ordem judicial.
Quem é Roberta Luchsinger
Roberta Luchsinger é neta do suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, ex-acionista do banco Credit Suisse. Ela também foi casada com o ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz e é sobrinha do financista Roger Wright, que morreu em um acidente aéreo em 2009.
Em declarações públicas ao longo dos últimos anos, Roberta se define como socialista e ganhou projeção nacional em 2017, quando anunciou a intenção de fazer uma doação milionária ao então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que à época era investigado pela Operação Lava Jato.
Ligação com o Careca do INSS
Segundo as investigações, Roberta Luchsinger é acusada de ter ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como personagem central no esquema de descontos indevidos sobre benefícios previdenciários. De acordo com a Polícia Federal, ela teria recebido valores financeiros de Antunes.
Os investigadores também apuram se Roberta teria atuado como elo entre Antunes e Luís Fábio Lula da Silva, filho do presidente Lula, com quem o lobista também teria desenvolvido projetos empresariais.
A empresária, no entanto, nega qualquer relação das transferências financeiras com o INSS e sustenta que os valores estariam vinculados a um projeto voltado ao setor de canabidiol.
Mandado com recomendação de discrição
A autorização para o cumprimento do mandado partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que determinou que a diligência fosse realizada com discrição.
Moradores da rua em Higienópolis onde Roberta vive, porém, relataram movimentação intensa de agentes, interrupção do trânsito e visível presença policial no local, o que teria causado repercussão no bairro.
Nota da defesa
Após o nome de Roberta Luchsinger ser citado no noticiário relacionado ao escândalo do INSS, sua defesa divulgou uma nota à imprensa, na qual nega qualquer envolvimento com o esquema investigado. A íntegra do comunicado foi reproduzida pelos advogados:
“Nota à Imprensa
Os representantes de Roberta Luchsinger esclarecem que a empresária jamais teve qualquer relação com descontos do INSS. Roberta Luchsinger e sua empresa atuam com a prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras e, nesse âmbito, foi procurada no ano passado pela empresa Brasília Consultoria Empresarial S/A, de Antônio Carlos Camilo Antunes, para atuação na regulação do setor de empresas de canabidiol.
Cumpre esclarecer que os negócios se mantiveram apenas em tratativas iniciais e não chegaram a prosperar. Cumpre esclarecer, ainda, que mencionadas tratativas se deram em momento anterior às revelações dos desvios de descontos do INSS e da participação de Antônio Carlos Camilo Antunes nas investigações.
Malgrado tenham discutido, nessa fase embrionária, diversos ângulos sobre as necessidades de melhoria de regulação do setor e as hipóteses de contratação pelo poder público, nenhum contrato público foi celebrado jamais foi celebrado e nem mesmo negociado.”
Operação segue em expansão
A Operação Sem Desconto investiga crimes relacionados à inserção de dados falsos em sistemas oficiais, estelionato previdenciário, organização criminosa e ocultação de patrimônio. A Polícia Federal apura a atuação de intermediários, empresários e agentes públicos na viabilização dos descontos ilegais que atingiram aposentados e pensionistas em todo o país.
As investigações seguem sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal, e novas diligências não estão descartadas.






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