PF: banco de Edir Macedo teria tentado induzir BC e mercado a erro

De acordo com os investigadores, a instituição financeira teria adotado uma ‘complexa engenharia financeira’ para contornar normas regulatórias

As investigações da Polícia Federal (PF) apontam que o Banco Digimais teria tentado induzir o mercado financeiro e o Banco Central a erro sobre sua real situação econômica. O caso é apurado no âmbito da Operação Miragem, deflagrada nesta terça-feira (23), que também cumpriu mandados de busca e apreensão contra dirigentes da instituição, fundos e empresas ligadas ao grupo.

De acordo com os investigadores, a instituição financeira teria adotado uma “complexa engenharia financeira” para contornar normas regulatórias e determinações do Banco Central. A PF cita ainda a existência de indícios de gestão temerária e fraudes no mercado de capitais.

A Justiça Federal de São Paulo determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 670 milhões dos investigados.

Patrimônio inflado

Em nota, o Banco Digimais afirmou estar à disposição das autoridades e declarou compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a colaboração com as investigações.

Segundo relatório da PF, auditoria realizada pelo Banco Central em 2023 identificou que o patrimônio de um fundo ligado ao banco teria sido inflado em cerca de 943%. Apesar da determinação para correção dos valores, os investigadores apontam que, posteriormente, houve tentativa de manter a avaliação original por meio de operações financeiras.

Para a PF, as ações buscavam criar uma “aparência de riqueza” nos balanços da instituição, com potencial de induzir investidores e o próprio Banco Central a erro sobre a real saúde financeira do banco.

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