A Polícia Federal revelou que a quadrilha liderada pelo ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, contava com um esquema de segurança e informantes para blindar suas ações. Entre os integrantes estava o subtenente da PM aposentado Kleber Ferreira da Silva, apelidado de “Padrinho”. Durante buscas, os agentes encontraram R$ 90 mil em espécie na casa de Kleber, localizada em um condomínio de luxo. Ele ainda tentou se desfazer de um dos celulares, jogando-o no vaso sanitário, mas acabou entregando as senhas dos outros dois aparelhos apreendidos.
Função do PM no grupo
Segundo a investigação, Kleber era o responsável por recrutar policiais para integrar a rede de proteção de TH Joias. Além dele, outros quatro policiais foram identificados no núcleo operacional:
- Wallace Menezes Varges de Andrade Tobias — policial do Bope
- Alexandre Marques dos Santos Souza — cabo do 4º BPM (São Cristóvão)
- Wesley Ferreira da Silva — cabo do 31º BPM (Barra da Tijuca)
- Rodrigo Costa Oliveira — cabo da Subsecretaria de Gestão de Pessoas
Outros cinco policiais ainda não foram identificados. A PF também apura a participação do delegado federal Gustavo Stteel, que, segundo os investigadores, atuava no núcleo logístico, intermediando contatos entre a quadrilha e autoridades públicas.
Operações e prisões
TH Joias, Kleber e os demais suspeitos foram presos na última quarta-feira (3) durante uma operação conjunta da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), Polícia Federal, Ministério Público Federal (MPF), Polícia Civil e Ministério Público do Rio de Janeiro. Ao todo, 15 mandados de prisão foram expedidos pelo TRF-2 (Rio e Espírito Santo).
Vazamento de operações para traficantes
As investigações apontam que Kleber atuava no vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais, beneficiando traficantes ligados a TH Joias. Um dos casos ocorreu em 26 de abril de 2024, quando 350 agentes realizaram uma grande ação no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. A PF afirma que os criminosos foram alertados com antecedência por TH Joias, graças às informações repassadas por Kleber.
Em interceptações telefônicas, a PF registrou Kleber avisando TH sobre a ação:
Kleber: “Operação amanhã 5h, mané.”
TH: “Não entendi, repete aí.”
Kleber: “O comandante avisou no grupo, vai ter operação amanhã 5h.”
Segundo os investigadores, o “amigo” citado na conversa seria Luciano Martiniano da Silva, conhecido como Pezão, apontado como chefe do tráfico no Alemão.
Defesas se manifestam
A defesa de TH Joias classificou as acusações como “perseguição política” e afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo. Já os advogados de Kleber Ferreira alegam que a prisão é “desnecessária e desproporcional”, afirmando que seu cliente apenas respondeu a uma pergunta de TH sobre uma operação e que não possui relação direta com os demais investigados.
A defesa do policial Wallace Tobias disse que não vai se pronunciar. O Governo do Estado do Rio divulgou nota destacando que não compactua com atos criminosos de servidores e reafirmando o compromisso de combater o crime organizado.






Deixe um comentário