Quem é TH Joias, o joalheiro de famosos que virou deputado e foi preso na Barra

Suas peças de ouro e diamantes foram usadas por Neymar, Vini Jr., L7nnon e MC Poze do Rodo

O deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (MDB), de 36 anos, foi preso nesta quarta-feira (3), em duas operações simultâneas: uma da Polícia Federal e outra do Ministério Público em conjunto com a Polícia Civil do Rio. Ele é o investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção, além de suspeita de negociar armas com o Comando Vermelho.

Antes da política, TH construiu fama como joalheiro de celebridades. Suas peças de ouro e diamantes foram usadas por Neymar, Vini Jr., L7nnon e MC Poze do Rodo. Até mesmo Hytalo Santos e o marido, o Euro, que estão presos por suspeita de tráfico de pessoas e exploração de menores, já ganharam de presente um dos cordões.

Joia confeccionada por TH |Reprodução

Nascido no Morro do Fubá, na Zona Norte do Rio, herdou do pai, Juberto, o ofício de ourives. Caçula de cinco irmãos, ele assumiu a loja da família em Madureira aos 19 anos e expandiu o negócio. Paralelamente, buscava espaço em comunidades, patrocinando festas e apoiando atletas e músicos.

Primeira prisão

O interesse pela política surgiu após conhecer Marcos Falcon, então presidente da Portela, assassinado em 2016. No ano seguinte, TH foi preso pela Polícia Civil, acusado de pagar propina a policiais, traficar armas e drogas e antecipar operações a facções.

Ele passou dez meses detido e foi apontado como operador financeiro de Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Amigos dos Amigos.

Em 2022, teve 15.105 votos para deputado estadual pelo MDB, mas só assumiu em 2024, após a morte de Otoni de Paula Pai e a permanência de Rafael Picciani no Executivo. Ele tomou posse com base em um habeas corpus que o manteve em liberdade. Hoje, preside a Comissão de Defesa Civil da Alerj.

Duas operações simultâneas

Ao todo, 18 pessoas são alvo das ações — parte com mandados expedidos pela Justiça Federal, parte pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

A operação encerrou com 15 presos. Confira a lista com os nomes divulgados até o momento:

  • Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho;
  • Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor parlamentar de TH;
  • Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário de Esportes;
  • Delegado de Polícia Federal Gustavo Stteel
  • Cabo Wallace Menezes Varges Tobias, do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope);
  • Soldado Wesley Ferreira da Silva, do 31º BPM (Barra da Tijuca)
  • Cabo Alexandre Marques dos Santos, do 4º BPM (São Cristóvão)
  • Kleber Ferreira da Silva, ex-PM
  • Rodrigo Costa Oliveira, PM

A Procuradoria-Geral de Justiça denunciou o deputado e outros quatro acusados por associação para o tráfico e comércio ilegal de armamento restrito. O Órgão Especial do TJ-RJ autorizou quatro mandados de prisão e cinco de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca, Freguesia e Copacabana.

Segundo os investigadores, o grupo mantinha laços estáveis com o CV, atuando nos complexos da Maré, Alemão e em Parada de Lucas. Além de intermediar drogas e armas, eles teriam fornecido equipamentos antidrones para dificultar operações policiais e movimentado grandes quantias em dinheiro vivo para financiar a facção.

Para o MPRJ, o parlamentar utilizou o mandato para favorecer a organização criminosa, inclusive nomeando comparsas para cargos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Também foram presos Gabriel Dias de Oliveira, o Índio, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho, e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, assessor parlamentar de TH.

Na mira da Polícia Federal

Já a Operação Zargun, da Polícia Federal, cumpre 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão, além do sequestro de bens avaliados em R$ 40 milhões. 

Segundo as investigações, o esquema de corrupção envolvia o deputado TH Joias, chefes do Comando Vermelho e outros agentes públicos — entre eles um delegado da PF, policiais militares e ex-secretários. 

Os investigados poderão responder por organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Governador Claudio Castro se manifesta

TH chegou à Alerj em 2024, assumindo a vaga do deputado Otoni de Paula Pai, falecido em maio daquele ano. O primeiro suplente, Rafael Picciani, preferiu permanecer como secretário de Esporte e Lazer do governo Cláudio Castro, abrindo espaço para Thiego.

Por meio das redes sociais, Castro determinou a volta de Picciani.

“Por minha determinação, o deputado estadual Rafael Picciani está retomando seu mandato na Assembleia Legislativa. Ele substitui o deputado estadual TH Joias, preso hoje em ação conjunta das polícias Civil e Federal e do Ministério Público. O retorno de Rafael já estava previsto, mas, diante da operação realizada hoje, decidimos antecipar. O trabalho integrado deixa um recado muito claro: a lei vale para todos”, pontou o governador.

Nota do MDB

“Diante das notícias de que o deputado suplente TH Joias está sendo procurado pela polícia, com mandado de prisão por suspeita de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de negociar armas para o Comando Vermelho (CV), o MDB decidiu expulsar o parlamentar. 

TH, que já não seguia a orientação partidária em seus posicionamentos e votações na Assembleia Legislativa do Rio, não fará mais parte dos nossos quadros.”

Nota da Polícia Militar

“A Corregedoria Geral da Corporação efetuou a prisão de três policiais militares nesta manhã, em desdobramento de uma ação da Polícia Federal, Ministério Público e Polícia Civil em andamento nesta quarta-feira (3/9), no Rio de Janeiro. Outros dois policiais foram presos na ação pela Polícia Federal. Os policiais serão conduzidos para a Unidade Prisional da SEPM. O Comando e a Corregedoria da Corporação continuam acompanhando e apoiando as investigações .

Ressaltamos que o comando da Corporação não compactua e nem tolera quaisquer desvios de conduta, cometimento de crimes ou abuso de autoridade praticados por seus entes, punindo com rigor os envolvidos quando constatados os fatos”.

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