PF amplia investigação sobre fraudes no BRB e Banco Master

Grupo de 12 pessoas ligadas a operações entre os bancos passou a ser investigado; BRB avalia abertura de processos disciplinares

A Polícia Federal ampliou as investigações sobre suposta gestão fraudulenta no Banco de Brasília (BRB) e incluiu no inquérito um grupo de 12 pessoas ligadas às operações realizadas entre o banco e o Banco Master.

Entre os investigados estão funcionários e ex-integrantes da diretoria do BRB que participaram do grupo de trabalho responsável por analisar a tentativa de compra do Master, além de envolvidos na aquisição de carteiras de crédito da instituição comandada por Daniel Vorcaro.

Os nomes foram citados na auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer e pela consultoria Kroll. O relatório final foi entregue pela atual direção do BRB à Polícia Federal em abril.

Primeira etapa

A primeira etapa da auditoria, concluída em janeiro, resultou na abertura do inquérito que levou à prisão do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, no mês passado.

Segundo as investigações, Paulo Henrique Costa é suspeito de cobrar propina em imóveis de luxo avaliados em R$ 146 milhões para facilitar negócios envolvendo Daniel Vorcaro. A PF apura ainda se integrantes da diretoria emitiram pareceres favoráveis às operações em troca de benefícios.

Em nota, o BRB informou que poderá abrir Processos Administrativos Disciplinares (PADs) para apurar eventual descumprimento funcional por parte de empregados e ex-dirigentes.

“A instituição adotará todas as medidas relacionadas à plena elucidação de fatos que indiquem descumprimento funcional”, afirmou o banco, acrescentando que também poderá buscar reparação civil em casos de prejuízo à instituição.

Aumento de capital

A auditoria apontou suspeitas em operações de aumento de capital realizadas entre 2024 e 2025, que teriam sido estruturadas para viabilizar a compra de carteiras de crédito do Banco Master classificadas como ativos problemáticos.

O relatório também cita o uso de fundos de investimento, empresas e pessoas interpostas para dificultar o rastreamento das operações perante órgãos reguladores.

Segundo os auditores, houve aquisição acelerada e sucessiva de carteiras de crédito sem análise adequada dos riscos envolvidos, além de inconsistências de lastro e altos índices de inadimplência.

Impacto financeiro

As operações entre os bancos geraram forte impacto financeiro no BRB, que atualmente enfrenta problemas de liquidez e desenquadramento em regras prudenciais do sistema financeiro.

A atual direção da instituição trabalha para encontrar uma solução que permita capitalizar o banco em R$ 8,8 bilhões até o fim deste mês.

De acordo com as investigações, a compra de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB somou R$ 12,2 bilhões. Parte dos ativos foi posteriormente substituída por outros créditos do próprio Master, operação que também teria sido realizada sem avaliação adequada, resultando em prejuízo estimado em R$ 6 bilhões.

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