Comissão da Alerj acionará MP após jovem perder visão em ação da PM no Maracanã

Torcedor de 18 anos foi atingido por bala de borracha após clássico entre Flamengo e Vasco e caso terá investigação acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu acionar o Ministério Público para acompanhar e investigar o caso do jovem Arthur Cortines Laxe, de 18 anos, que perdeu a visão do olho direito após ser atingido por uma bala de borracha durante uma ação da Polícia Militar no entorno do Maracanã.

O episódio ocorreu no último domingo (03), após o clássico entre Flamengo e Vasco. O atendimento à família do torcedor foi realizado na última quarta-feira na Casa de Saúde São José, no Humaitá, na Zona Sul do Rio, onde o torcedor permanece internado. Ele passará por pelo menos três cirurgias, incluindo uma plástica e outra para tratar uma fratura no nariz.

Segundo a presidente da comissão, deputado Dani Monteiro (Psol), além do pedido de investigação ao Ministério Público, também serão cobradas informações oficiais sobre a operação policial. Ela afirmou que o caso exige resposta imediata das autoridades responsáveis.

“Arthur estava voltando para casa depois de fazer um programa clássico de domingo no Rio de Janeiro: ver seu time no Maracanã. A perda da visão de um jovem torcedor de 18 anos, por óbvio despreparo policial, exige resposta imediata do Estado”, declarou.

Arthur perdeu a visão após confusão em Flamengo x Vasco — Foto: Reprodução

Pedido de investigação

Entre as medidas anunciadas está o envio de ofícios à Secretaria de Segurança Pública e ao Regimento de Polícia Montada da PM. Os documentos irão solicitar acesso às imagens da operação, identificação dos agentes envolvidos, informações sobre abertura de procedimento administrativo e eventual afastamento dos policiais responsáveis pela ação.

O principal encaminhamento, porém, será o acionamento do Ministério Público para abertura de uma investigação paralela sobre o caso. A intenção da deputada é acompanhar os desdobramentos das apurações e garantir esclarecimentos sobre a atuação policial na área externa do estádio.

Segundo familiares de Arthur, até o momento a Polícia Civil ainda não havia procurado a família para colher depoimentos ou prestar esclarecimentos sobre o andamento das investigações. Dani também criticou a falta de informações repassadas aos parentes do jovem.

“É inadmissível que a família ainda esteja sem informações e sem qualquer contato sobre o andamento das investigações. Não vamos aceitar impunidade e queremos celeridade na responsabilização”, afirmou.

Morreu após agressões

O caso envolvendo Arthur não foi o único episódio grave registrado após o clássico entre Flamengo e Vasco da Gama. O torcedor vascaíno Fabiano Miranda Lopes, de 42 anos, agredido nas proximidades do estádio morreu na madrugada desta sexta-feira (8), após permanecer internado em estado grave por cinco dias.

Ele estava internado no Hospital Municipal Souza Aguiar desde o dia das agressões. Ele não resistiu aos ferimentos provocados pelo espancamento. Segundo as investigações, Fabiano foi atacado por um grupo de torcedores rivais na saída do estádio.

Imagens gravadas por moradores da região mostram dois homens caídos no chão, ambos feridos, enquanto um deles continua sendo agredido com chutes e pontapés mesmo já desacordado na calçada.

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