Petrobras mantém política de preços e evita repasse da alta do petróleo

Mesmo com tensão no Oriente Médio elevando o barril, estatal reforça estratégia de amortecer impactos no Brasil

A Petrobras reafirmou sua política de preços de combustíveis em comunicado enviado à CVM na noite de quinta-feira (3). A estatal destacou que continuará evitando repassar ao consumidor interno as oscilações do mercado internacional, mesmo diante da recente disparada nas cotações do petróleo causada por tensões no Oriente Médio.

Segundo a companhia, a estratégia segue sendo aplicada mesmo em um cenário de forte alta nos preços globais dos derivados, intensificada por conflitos geopolíticos. O posicionamento reforça a diretriz adotada desde 2023, que busca reduzir a volatilidade no mercado doméstico.

A política atual foi formalizada em maio de 2023 e ganhou força durante a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022, com a proposta de “abrasileirar” os preços dos combustíveis.

Como funciona a política de preços da Petrobras

De acordo com o comunicado, os reajustes não seguem uma periodicidade fixa. A estatal afirma que as alterações são feitas com base em critérios técnicos e nas condições específicas de refino e logística da empresa.

A companhia destacou que a prática evita o repasse imediato da volatilidade internacional e das variações cambiais para o consumidor brasileiro. Quando considerados necessários, os ajustes são realizados dentro das diretrizes de governança corporativa.

Dias após o início dos ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia indicado que a política seria mantida, apesar da pressão externa sobre os preços.

Resposta à CVM e questionamentos do mercado

O comunicado também foi uma resposta direta a questionamentos da CVM após a publicação de uma reportagem sobre a defasagem entre os preços praticados nas refinarias da Petrobras e os valores internacionais.

Essa defasagem tende a crescer em momentos de alta do petróleo, já que a política da estatal segura o repasse imediato ao mercado interno. Na prática, isso pode significar combustíveis mais baratos no Brasil em comparação ao exterior.

A CVM questionou se essa diferença poderia impactar investidores e acionistas, levantando a necessidade de maior transparência sobre o cenário.

Defasagem de preços gera debate no setor

Apesar das análises de mercado apontarem possíveis perdas com a defasagem, a Petrobras afirmou no comunicado que não reconhece as estimativas divulgadas por empresas e analistas do setor.

A estatal reiterou que suas decisões seguem critérios internos e técnicos, priorizando estabilidade de preços e previsibilidade para o mercado brasileiro, mesmo em um contexto internacional de alta volatilidade.

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