Pesquisa Ipec: Lula ganha em 13 estados; Bolsonaro leva vantagem em cinco e no DF, mostra seção Pulso, de O Globo

Levantamento feito pela seção Pulso, do jornal O Globo, mostra que os resultados das pesquisas do Ipec divulgados nas últimas semanas, contratadas pela TV Globo e afiliadas, em 25 estados e no Distrito Federal revelam um primeiro desenho do mapa da disputa presidencial, após o início da campanha. Os números indicam que o ex-presidente Luiz…

Levantamento feito pela seção Pulso, do jornal O Globo, mostra que os resultados das pesquisas do Ipec divulgados nas últimas semanas, contratadas pela TV Globo e afiliadas, em 25 estados e no Distrito Federal revelam um primeiro desenho do mapa da disputa presidencial, após o início da campanha.

Os números indicam que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por enquanto, conseguiu avançar na conquista de eleitores, na comparação com Fernando Haddad (PT), em regiões que deram vitória ao presidente Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018, mas também mostram que os dois candidatos ao Palácio do Planalto estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro, em seis estados, incluindo o populoso Rio de Janeiro.

O levantamento feito pelo GLOBO, que compilou todas as pesquisas disponíveis — a sondagem sobre a disputa no Pará só será divulgado hoje pelo Ipec —, aponta que Lula, à frente na corrida a nível nacional com 12 pontos de vantagem, lidera até o momento em 13 estados. São eles todos os do Nordeste, tradicional reduto de seu partido nas últimas eleições, mas também São Paulo e Minas Gerais —maiores colégios eleitorais do país—, Amazonas, Rio Grande do Sul e Tocantins. Nas quatro primeiras unidades da federação, Bolsonaro conquistou maioria há quatro anos.

Bolsonaro, por outro lado, está à frente na corrida presidencial em cinco estados e no Distrito Federal, locais onde também venceu no pleito passado. O grupo inclui Santa Catarina, onde marca 50% das intenções de voto. No Distrito Federal, o presidente está sete pontos à frente de Lula, com 38%. Em Roraima e Rondônia, chega a marcar, respectivamente, 66% e 54%, seus melhores desempenhos. Bolsonaro também tem vantagem sobre Lula no Acre (23 pontos) e no Mato Grosso (18 pontos).

Lula tem seus melhores resultados no Piauí e no Maranhão, onde chega às marcas de 69% e 66% das intenções de voto, respectivamente. Sua vantagem sobre Bolsonaro é menor no Tocantins (7 pontos), no Rio Grande do Sul (8 pontos) e em São Paulo, em que aparece com 40% dos votos, contra 31% do atual presidente. Nesses estados, a vantagem do petista fica abaixo da média nacional.

Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), por sua vez, se destacam nos seus respectivos estados. Ciro chega a 14% e empata em segundo lugar com Bolsonaro no Ceará, enquanto Tebet marca 8% dos votos no Mato Grosso do Sul, onde fica na terceira posição, à frente do pedetista.

Professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGCS), Mayra Goulart destaca que um fator relevante para entender a mudança no desempenho de Bolsonaro em estados em que venceu na eleição de 2018 é sua avaliação de governo, que sofreu desgaste na pandemia e com o desembarque de apoiadores identificados com a bandeira do combate à corrupção. Um exemplo é São Paulo, que tem um histórico de antipetismo, mas no qual Lula aparece neste momento à frente.

— Na eleição presidencial, o PT não fica à frente em São Paulo há muitos anos, porque lá o antipetismo é muito forte. Em estados onde se tem uma concentração relevante de camadas com renda alta e média, o desgaste de Bolsonaro com lideranças da direita acaba fazendo diferença. Há ainda um desembarque do lavajatismo da base de apoio de Bolsonaro após a pandemia.

As pesquisas do Ipec apontam que as intenções de voto em Bolsonaro e Lula costumam acompanhar a avaliação do governo federal. Quanto pior é avaliada a gestão de Bolsonaro, mais votos tende a ter o petista, e vice-versa. Em ao menos 13 estados, o índice dos que consideram o governo ruim ou péssimo supera o daqueles que o avaliam como ótimo ou bom. Em cinco deles, todos na Região Nordeste, a avaliação negativa alcança metade ou mais dos entrevistados. O contrário — o governo é ótimo ou bom para maioria — é observado em Rondônia e Roraima.

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