Pesquisa do Sebrae revela que 66% dos pequenos empresários apoiam proibição das bets

Levantamento nacional aponta que apostas on-line afetaram o faturamento de 26% dos negócios e reduziram o poder de compra dos consumidores

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O avanço das apostas on-line sobre o orçamento das famílias passou a preocupar os pequenos empresários brasileiros. Uma pesquisa nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que cerca de 66% dos empreendedores apoiam a proibição das bets e dos cassinos virtuais. O levantamento também revela que mais de um quarto dos entrevistados associa a atividade à redução do faturamento de seus estabelecimentos.

As informações são do colunista Leonardo Sakamoto, do portal UOL. O levantamento ouviu 1.028 empresários de todas as 27 unidades da Federação no início de outubro e identificou preocupações relacionadas à perda de poder de compra dos consumidores, ao endividamento das famílias e aos efeitos das apostas sobre o desempenho dos trabalhadores.

Apostas atingem faturamento

Segundo o Sebrae, 26% dos pequenos negócios relataram redução nas receitas associada às apostas on-line ao longo dos últimos 12 meses. Para 51% dos entrevistados, não houve impacto direto no faturamento, enquanto 23% não conseguiram avaliar os efeitos. Apenas 0,2% apontaram ganhos relacionados às bets.

A pesquisa também identificou mudanças no comportamento dos consumidores. Um terço dos empresários, o equivalente a 33%, percebeu que os clientes passaram a ter menos dinheiro disponível para compras.

Outros 18% observaram aumento da inadimplência ou atrasos nos pagamentos, enquanto 11,5% registraram crescimento nos pedidos de parcelamento ou compras fiadas. Além disso, 10% relataram que consumidores passaram a substituir produtos por alternativas mais baratas.

Para o presidente do Sebrae, Décio Lima, os resultados indicam que parte dos recursos antes destinados ao comércio e à contratação de serviços passou a ser direcionada às plataformas de apostas.

“Os dados mostram com clareza que o recurso antes destinado ao consumo de bens, produtos e serviços no comércio local acabou migrando para os jogos on-line, afetando diretamente o caixa dos pequenos negócios”, afirmou.

Empresários esperam vendas maiores

Com a proibição das bets determinada pelo governo federal por meio de medida provisória no mês passado, 38% dos empreendedores acreditam que suas vendas poderão aumentar.

Outros 42% projetam estabilidade no faturamento, enquanto apenas 0,6% esperam redução das receitas. Os 19% restantes não souberam avaliar os possíveis resultados da medida. Quando convidados a atribuir uma nota ao impacto esperado sobre a economia local, os empresários apresentaram média de 6,1 em uma escala de zero a dez.

Quase um quarto dos participantes, 24%, atribuiu nota máxima aos benefícios econômicos que acredita que poderão surgir com a retirada das plataformas do mercado. Os números refletem expectativas dos entrevistados e não representam uma medição de resultados econômicos já alcançados após a proibição.

Maioria defende fim das bets

O apoio à proibição foi registrado entre empresários de diferentes setores e regiões do país. Do total de entrevistados, 57% declararam ser totalmente favoráveis à medida, enquanto 8,8% manifestaram apoio parcial.

Somados, os dois grupos representam aproximadamente 66% dos participantes. Na direção contrária, 23,5% se posicionaram contra a proibição, sendo 17% totalmente contrários. Outros 9,9% disseram ser indiferentes e 0,9% não souberam responder.

Apesar da adesão majoritária, o levantamento identificou divergências sobre a melhor maneira de enfrentar os problemas associados aos jogos. Parte dos empresários considera que uma proibição integral pode estimular a migração de apostadores para plataformas clandestinas, dificultando a fiscalização e o controle das atividades.

Funcionários também são afetados

Os impactos das apostas não se restringem ao comportamento dos consumidores. A pesquisa identificou reflexos também no ambiente de trabalho. Entre os empreendimentos que possuem funcionários, 40% relataram perceber consequências das apostas on-line sobre suas equipes.

Os principais problemas mencionados incluem endividamento, pedidos de adiantamento salarial, redução da produtividade e realização de apostas durante o expediente. Empresários também relataram situações envolvendo noites mal dormidas e dificuldades financeiras que passaram a interferir na rotina profissional.

Além das respostas aos questionários, quase metade dos participantes apresentou comentários espontâneos sobre o tema. A análise dessas manifestações apontou a dependência dos jogos como principal preocupação, seguida pelo endividamento e pelos conflitos familiares relacionados às apostas.

Pesquisa aponta alternativas à proibição

Embora a maioria dos entrevistados apoie o fim das bets, o estudo também reuniu sugestões de medidas alternativas para reduzir os prejuízos econômicos e sociais associados ao setor.

Entre as propostas apresentadas estão o estabelecimento de limites de apostas por CPF, a ampliação das restrições à publicidade e a adoção de mecanismos específicos de proteção aos beneficiários de programas sociais.

Alguns empresários defenderam regras mais rígidas de funcionamento e fiscalização, em vez de uma proibição completa. Também foram registradas preocupações com a segurança jurídica da medida, especialmente em relação às empresas que já haviam recebido autorização para operar no Brasil.

Uma parcela minoritária dos entrevistados destacou a liberdade de escolha individual e a importância da educação financeira como instrumentos para prevenir o endividamento. Intitulada “Percepção dos pequenos negócios sobre o fim das Bets”, a pesquisa reuniu respostas de microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs).

O setor de serviços concentrou 53,2% dos participantes, seguido pelo comércio, com 29,3%. Indústria e construção responderam por 12,5%, enquanto o agronegócio representou 3,2% da amostra. Os resultados mostram que os efeitos das apostas sobre o consumo, o faturamento e as relações de trabalho passaram a ocupar espaço nas preocupações dos pequenos empresários, mesmo entre aqueles que divergem sobre a proibição integral das plataformas.

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