Pentágono planeja expulsar militares transgêneros das Forças Armadas dos EUA

Procedimento de identificação será criado e dispensa iniciará em 30 dias

Militares transgêneros das Forças Armadas dos Estados Unidos serão dispensados, salvo se obtiverem uma isenção, conforme determina um memorando do Pentágono apresentado em tribunal na última quarta-feira (26). O documento estabelece um prazo de 30 dias para criar um procedimento de identificação dos soldados trans e, em seguida, iniciar sua dispensa.

A diretriz, considerada sem precedentes por defensores dos direitos LGBTQIA+, vai além das restrições impostas pelo ex-presidente Donald Trump durante seu primeiro mandato (2017-2021). O texto reforça a política governamental de manter “altos padrões de prontidão, letalidade, coesão, honestidade, humildade, uniformidade e integridade” nas Forças Armadas.

O documento alega que a presença de militares transgêneros é incompatível com as diretrizes médicas e psicológicas das Forças Armadas, citando a disforia de gênero como um impedimento. A regra se alinha a um decreto assinado por Trump em janeiro, no qual ele classifica a “ideologia transgêndero” como incompatível com os valores militares e impede novos alistamentos.

Pentágono já impede novos ingressos de pessoas trans

O Pentágono já havia determinado que pessoas trans não poderiam ingressar nas Forças Armadas e que não seriam mais realizados ou financiados procedimentos de transição de gênero para militares. Agora, a restrição se estende a quem já está na ativa, embora não haja uma obrigatoriedade formal de autoidentificação.

Militares trans poderão pleitear isenção caso atendam a critérios rigorosos, incluindo comprovar 36 meses consecutivos sem angústia clinicamente significativa. O alto comando afirmou que as isenções serão concedidas apenas se houver “interesse governamental convincente” e se o militar contribuir diretamente para as capacidades de combate.

Militante de direitos lésbicos vê “expurgo completo”

Shannon Minter, do Centro Nacional de Direitos Lésbicos (NCLR), classificou a ação como um “expurgo completo” e destacou que sua abrangência é sem precedentes. O memorando foi apresentado em tribunal como parte de uma ação movida pelo NCLR e pela Glad Law, que contestam sua constitucionalidade com base na Quinta Emenda, que garante tratamento igualitário perante a lei.

O Departamento de Defesa estima que o Exército americano tenha cerca de 1,3 milhão de militares ativos. O número de membros trans nas Forças Armadas é incerto; enquanto grupos de direitos LGBTQIA+ afirmam que pode chegar a 15 mil, autoridades apontam um total bem menor. Uma pesquisa da Gallup deste mês indicou que 58% dos americanos apoiam a presença de transgêneros no serviço militar, uma queda em relação aos 71% registrados em 2019.

Com informações da Folha de S.Paulo

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