Paul McCartney critica cardápio com carne na COP30: ‘é como distribuir cigarros em uma conferência de prevenção ao câncer’

Ex-Beatle enviou carta ao presidente do evento pedindo que a conferência adote cardápio 100% vegetariano e alinhe discurso climático com a prática sustentável

O músico britânico Paul McCartney criticou publicamente o cardápio da COP30 por incluir pratos com carne. Segundo a revista New Music Express, o ex-Beatle enviou uma carta ao presidente do evento, o embaixador André Corrêa do Lago, afirmando que “servir carne em uma conferência climática é como distribuir cigarros em uma conferência de prevenção ao câncer”.

A declaração, que repercutiu internacionalmente, foi feita em conjunto com a organização Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), uma das mais influentes entidades globais em defesa dos direitos dos animais.

Carta pede alinhamento entre discurso e prática

Na correspondência enviada ao comando da COP30, McCartney argumenta que o consumo de carne é um dos principais motores da crise ambiental e pediu que o evento adote um cardápio totalmente vegetariano.

“Peço que o senhor alinhe o cardápio da COP30 com sua missão, tornando-o totalmente vegetariano. Isso reduziria significativamente sua pegada de carbono e o impacto ambiental geral, servindo de exemplo positivo para o mundo”, escreveu o cantor.

O artista, que há décadas defende o vegetarianismo e a redução do consumo de produtos de origem animal, destacou na carta que a pecuária é responsável por 80% do desmatamento global. McCartney argumenta que a escolha de um cardápio livre de carne seria um gesto simbólico e coerente com a missão climática da conferência.

Protesto de Luisa Mell em Belém

O tema ganhou ainda mais repercussão após um protesto da ativista brasileira Luisa Mell, também ligada à Peta. Na última quinta-feira (6), em Belém do Pará — cidade que sedia a conferência —, ela realizou uma performance em que apareceu nua e com o corpo pintado como o planeta Terra, criticando a presença de carne no cardápio oficial da COP30.

A ação viralizou nas redes sociais e dividiu opiniões entre participantes e observadores do evento. O protesto reforçou a campanha da Peta, que vem pressionando organizações internacionais a adotar cardápios à base de vegetais em encontros globais sobre sustentabilidade e meio ambiente.

A polêmica coloca em destaque um tema recorrente nas conferências climáticas: a distância entre o discurso sobre redução de emissões e as práticas adotadas durante os próprios eventos.

Impacto ambiental e coerência nas políticas climáticas

Estudos científicos e relatórios de agências da ONU já apontaram a agropecuária como uma das principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa e pela destruição de ecossistemas. A pressão de ativistas e ambientalistas como McCartney busca justamente destacar essa contradição — o impacto ambiental das escolhas alimentares em um fórum dedicado a frear o aquecimento global.

Até o momento, a organização da COP30 não comentou o pedido feito pelo cantor nem informou se haverá mudanças no cardápio oficial do evento.

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