Morre Sérgio Mendes, músico brasileiro que se tornou astro internacional e lenda do samba-jazz (veja vídeo de ‘Mas que nada’)

Vencedor do Grammy de world music, também concorreu ao Oscar por “Real in Rio”

Sergio Mendes, pianista e ícone internacional da música brasileira, faleceu nesta sexta-feira (6) aos 83 anos, em Los Angeles, EUA. A notícia foi confirmada por familiares, que não detalharam a causa da morte. Mendes vinha lidando com complicações respiratórias desde o fim de 2023.

Considerado o maior expoente do samba-jazz, Mendes iniciou sua trajetória musical ao lado de grandes nomes da bossa nova, como Tom Jobim e Vinicius de Moraes, frequentando o famoso Beco das Garrafas no Rio de Janeiro, nos anos 1950 e 1960.

Foi lá que ouviu pela primeira vez “Mas que nada”, de Jorge Ben Jor, música que, ao ser lançada com seu grupo Brasil ’66, alçou-o ao estrelato internacional. A canção ganhou nova vida em 2006, quando foi regravada em parceria com o grupo americano Black Eyed Peas.

Vencedor do Grammy e indicado ao Oscar

Em 1992, o niteroiense gravou o disco “Brasileiro” (que ganhou o Grammy de world music), com várias canções de Carlinhos Brown, então ainda uma promessa do pop nacional. Duas décadas depois, em 2012, a dupla foi indicada ao Oscar por “Real in Rio”, canção feita para o filme de animação “Rio” (2011).

Sergio Mendes morava nos EUA há seis décadas com sua esposa, a cantora Gracinha Leporace, com quem estava casado há mais de 50 anos. Juntos, atuaram como parceiros musicais, com Gracinha integrando a banda de Mendes desde os anos 1970.

O músico decidiu se estabelecer nos Estados Unidos após o golpe militar de 1964 no Brasil, onde a instabilidade política o levou a buscar novas oportunidades. Mendes fez duas turnês ao lado de Frank Sinatra, com quem construiu uma amizade duradoura.

Nos EUA, o música brasileiro de maior sucesso

Nos Estados Unidos, Mendes se tornou o brasileiro com mais sucessos no Top 100 das paradas americanas, com 14 músicas emplacadas, incluindo “Mas que nada” e “Olympia”. Outro grande sucesso foi “Never gonna let you go”, que, em 1983, alcançou o quarto lugar nas paradas e se tornou popular até no Japão. Em 1967, sua versão de “The look of love”, de Burt Bacharach e Hal David, também fez grande sucesso, consolidando seu estilo único de mesclar bossa nova com influências internacionais.

Um de seus momentos marcantes foi a reinterpretação de “Fool on the hill”, dos Beatles, em 1968, que ganhou elogios do próprio Paul McCartney. Mendes transformou a canção em um samba, resultando em uma das versões mais conhecidas da obra dos Beatles. Ao longo de sua carreira, Mendes também trabalhou com Carlinhos Brown, resultando no álbum “Brasileiro” de 1992, que lhe rendeu um Grammy de world music.

Nascido em 1941, em Niterói, Sergio Mendes iniciou seus estudos de piano ainda criança, sonhando em ser músico clássico. No entanto, sua paixão pelo jazz e pela bossa nova o levou a trilhar outro caminho. Aos 16 anos, começou a se apresentar em casas noturnas no Rio de Janeiro, onde se destacou com sua habilidade ao piano e seu talento para fundir gêneros musicais.

Ao longo de sua carreira, Mendes consolidou-se como um dos principais embaixadores da música brasileira no exterior, sempre fiel à sua missão de “fazer música.

Com informações de O Globo

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