Parlamento da Coreia do Sul revoga lei marcial decretada por presidente, e crise política cresce (veja vídeos)

A decisão do presidente gerou indignação popular, com manifestantes reunidos em frente à Assembleia Nacional tentando invadir o prédio

O Parlamento da Coreia do Sul derrubou, na madrugada desta terça-feira (3, horário local), a controversa declaração de lei marcial imposta pelo presidente Yoon Suk-yeol. O decreto, emitido sob a justificativa de proteger a democracia contra supostos aliados da Coreia do Norte, foi revogado após uma votação emergencial na Assembleia Nacional, onde a oposição detém maioria. Pela legislação sul-coreana, o presidente é obrigado a anular o decreto imediatamente após sua revogação pelo Parlamento.

A declaração de lei marcial, inédita desde o fim da ditadura militar nos anos 1980, havia imposto severas restrições, incluindo a proibição de atividades políticas e manifestações, controle da imprensa e autorização para prisões sem mandado. O general Park An-soo, nomeado comandante da lei marcial, justificou que as medidas eram necessárias para conter o que chamou de “forças anti-Estado”.

A decisão do presidente gerou indignação popular, com manifestantes reunidos em frente à Assembleia Nacional tentando invadir o prédio. Apesar da repressão policial, os legisladores conseguiram se reunir e aprovar uma resolução contra o decreto por volta da 1h da manhã.

Presidente acusa oposição de paralisar sua gestão

Em discurso à nação, Yoon acusou a oposição de paralisar sua administração ao bloquear o orçamento para 2024 e promover impeachments de membros do gabinete. “Declaro lei marcial para proteger a Coreia do Sul das forças comunistas norte-coreanas e eliminar ataques à nossa ordem constitucional livre”, afirmou. Ele ainda acusou a Assembleia Nacional de se tornar “um monstro que destrói a democracia”.

O clima político no país segue tenso. Yoon enfrenta queda de popularidade e crescentes críticas por supostos escândalos envolvendo aliados e familiares, enquanto a oposição, liderada pelo Partido Democrata, acusa o governo de autoritarismo. A crise, que já vinha sendo alimentada por disputas orçamentárias e políticas, agora atinge um novo ápice com a controvérsia em torno da lei marcial.

Com informações do Estado de S.Paulo

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