O presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol, cancelou o decreto de lei marcial horas após sua polêmica implementação nesta terça-feira (3). A medida, que transferia poderes executivos às Forças Armadas, foi vista como tentativa de silenciar a oposição e gerou uma forte reação no Parlamento, na sociedade e entre aliados internacionais.
A lei marcial, anunciada sob justificativas de proteger o país contra supostos alinhamentos da oposição com a Coreia do Norte, incluía restrições severas, como suspensão de liberdades civis, censura à imprensa e prisões sem mandado. Tropas ocuparam o Parlamento, e blindados cercaram o local. A crise provocou protestos populares (foto), mesmo sob temperaturas abaixo de zero, e foi amplificada por críticas de líderes do próprio partido de Yoon.
A oposição reagiu rapidamente. À 1h de quarta-feira (13h de terça em Brasília), o Parlamento, com 190 votos unânimes, anulou o decreto, obrigando Yoon a ceder horas depois. A comunidade internacional também pressionou: a Casa Branca e países europeus manifestaram preocupação, enquanto a ONU pediu a restauração das liberdades democráticas.
Greve geral pela renúncia do presidente da Coreia do Sul
A decisão do presidente de recuar deixou marcas. Sindicatos sul-coreanos convocaram greve geral pedindo sua renúncia, e a relação com o Parlamento ficou ainda mais tensa. Mesmo aliados buscaram se distanciar. Líderes do partido governista criticaram a falta de consulta prévia sobre a medida, com alguns parlamentares impedidos de votar devido à ocupação militar.
A crise reflete um contexto político já conflituoso, com a oposição controlando a maioria parlamentar desde abril. Controvérsias recentes incluem bloqueios orçamentários e pedidos de impeachment de aliados de Yoon, além de escândalos envolvendo sua esposa. A oposição acusa o presidente de usar a lei marcial como cortina de fumaça para encobrir tais casos
Com informações da Folha de S.Paulo
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