Paraty, ao contrário do que muita gente pensa, é difícil de ser resumida, e muito mais bacana do que apenas um lugar para tirar uma selfie entre as casinhas coloridas de seu badaladérrimo Centro Histórico. Mas basta embarcar na Marina 46 para descobrir que o verdadeiro tesouro da cidade não está nas vitrines das lojinhas, mas nas ilhas, enseadas e cachoeiras que pontilham seu entorno. A cidade, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecida pela Unesco, parece ter escondido seus melhores segredos sob o pretexto de que o centrinho já seria suficiente.
Longe do burburinho dos turistas desavisados, Paraty se revela com um humor peculiar: é simples, mas não simplória, sofisticada sem frescura. Ali, a natureza fala mais alto que o Wi-Fi, e o tempo parece ter feito um pacto de paz com o relógio. É um desses raros lugares onde o “nada pra fazer” é, na verdade, o programa mais rico da viagem.
Se você já tropeçou nas pedras do centro, agora é hora de tropeçar na beleza que mora nas bordas. Vá com tempo, vá com curiosidade e, sobretudo, vá disposto a rir de si mesmo. Porque Paraty é dessas cidades que não se visitam, se descobrem. E se a sorte ajudar, quem sabe até um “sargentinho” te dê um alô durante o mergulho.

O único fiorde tropical do Brasil
A comparação com os fiordes noruegueses pode até parecer exagerada para alguns mal-humorados, mas o visual aqui impressiona.
O Saco do Mamanguá é uma enseada de 8 km de extensão cercada por montanhas cobertas de mata atlântica. Fica a cerca de uma hora de barco de Paraty e é conhecido como o único fiorde tropical do Brasil.
Vale a pena conhecer porque entrega algo raro: águas verdes esmeralda, manguezais bem preservados e montanhas cobertas por Mata Atlântica que se erguem ao redor.
A praia da lua de mel dos vampiros
Ela se chamava apenas Praia da Costa, no Saco do Mamanguá, mas depois das filmagens de Amanhecer, quarta parte da Saga Crepúsculo, aquela mesma que conta a história de amor entre a humana Bella Swan (Kristen Stewart) e o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson), virou “Praia do Crepúsculo”.
Sim, no filme o vampiro marca sua lua de mel em Paraty, mas não exatamente naquela praia. O local escolhido foi a mansão de um empresário no Saco do Mamanguá, uma luxuosa mansão de 15 quartos e praticamente pé na areia da Praia do Meio.
Aviso aos navegantes: o local é privado e a segurança é rigorosa. Não vá nessa que é só chegar chegando pra fazer uma selfie ixperta no cenário do filme. Em vez do Edward Cullen, você pode acabar encontrando o Batman.
O aquário sem vidro
A Ilha da Pescaria é uma das ilhas mais charmosas e populares na Baía de Paraty, conhecida por suas águas cristalinas e rica biodiversidade marinha, especialmente pelos cardumes de peixes “sargentinhos” que encantam os mergulhadores.
É um dos pontos mais badalados de snorkeling da região, graças a suas águas calmas, rasas e cristalinas, perfeitas para quem quer ver peixes coloridos sem precisar de cilindro ou coragem. O fundo do mar ali é um mosaico de corais, ouriços e cardumes. E o melhor, não há correnteza para arrastar sua dignidade junto com a máscara de mergulho.
Por ser de concessão privada, a ilha não permite o desembarque dos visitantes, mas as águas ao redor são um ponto de parada obrigatória.

A ilha do castelinho e dos micos-leões dourados (ou não)
Originalmente a Ilha do Mantimento era, como o próprio nome assim o sugere, um entreposto de mantimentos para caravelas que, por não conseguirem aportar diretamente em Paraty, depositavam ali provisões e trocavam cargas.
Hoje ela se destaca pelas águas calmas e claras e por seu “castelinho”, que se destaca na paisagem e já foi usado como locação de diversos filmes.
Alguns guias “vendem” o passeio como a uma ilha habitada por micos-leões dourados. Só que não é bem assim. A ilha é privada e o desembarque proibido. E sim, existem alguns casais de micos-leões por ali mantidos pelos proprietários, ou seja, não é nenhuma APA.

A enseada de nome autoexplicativo
A Enseada da Preguiça, entre as praias da Lula e Vermelha, não tem esse nome por metáfora, mas por diagnóstico. Seu cenário combina águas calmas, vegetação ao redor e aquela velha sensação de um lugar pausado no tempo.
Segundo os sites especializados, é uma das enseadas mais tranquilas da região, perfeita para famílias com crianças.
Uma praia com história
A Praia do Engenho D’água é uma daquelas joias escondidas que só aparecem para quem insiste. Com suas águas cristalinas e areia fina, ela é ideal para relaxar e lagartear ao sol.
Além disso, a visita às ruínas do antigo engenho de cana-de-açúcar oferece uma experiência histórica rica em um lugar de visual deslumbrante.
Para os amantes da natureza, a Mata Atlântica ao redor da praia é um paraíso, com trilhas que oferecem vistas espetaculares e uma biodiversidade rica, em uma das praias mais preservadas da região.
Praia da Lula
A Praia da Lula tem apenas 120 m de extensão de areia, águas cristalinas e acesso apenas por barco. Ela faz parte de quase todos os roteiros de escuna em Paraty, o que tira um pouco da exclusividade. A ilha também é privada, mas a praia é liberada para turistas.
Por outro lado, não há nenhum tipo de infraestrutura para receber visitantes por lá. Nem um único vendedor de chicabon. Portanto, leve tudo o que for necessário para o passeio.
Salto ornamental com nome de filme B
O Poço do Tarzan é um tobogã natural localizado acima da Cachoeira do Tobogã, na Estrada Paraty-Cunha. O nome vem de uma corda que ficava pendurada ali para saltos mais acrobáticos com gritos hollywoodianos. Hoje, a corda sumiu, mas o nome ficou.
É um dos pontos mais visitados da região, especialmente por quem quer uma foto radical sem muito risco, em uma ponte de madeira suspensa de onde os mais corajosos pulam.
Escorregando para a fama
A Cachoeira do Tobogã é vizinha do Poço do Tarzan e famosa por sua pedra lisa, onde as pessoas escorregam como se estivessem num parque aquático natural. A diferença é que aqui não há salva-vidas, só a torcida dos curiosos para que você se esborrache.
Guias locais fazem acrobacias na pedra, escorregando de pé como se fosse a coisa mais natural do mundo. É um dos points mais icônicos da região, e um dos mais escorregadios.







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