Paralisação de motoristas de ônibus no Rio chega ao fim após acordo por férias e vales

Greve em empresas de ônibus no Rio afetou 20 linhas, gerou filas em terminais e foi suspensa após acordo que garantiu pagamento de férias, vales-alimentação e FGTS em parcelas

A paralisação que afetou parte do transporte público no Rio de Janeiro terminou no início da tarde desta terça-feira (16), depois de uma negociação entre motoristas e representantes das empresas Real Auto Ônibus e Transportes Vila Isabel. Segundo o Sindicato dos Rodoviários, o acordo garantiu o pagamento imediato de férias e vales-alimentação, enquanto o depósito do FGTS, outro ponto de conflito, será feito em duas parcelas a partir do próximo sábado.

A paralisação começou pela manhã e afetou diretamente 20 linhas que ligam a Zona Norte e o Centro a bairros da Zona Sul e da recém-criada Zona Sudoeste, como Barra da Tijuca e Recreio. Passageiros enfrentaram longas filas em terminais estratégicos, como o Procópio Ferreira, ao lado da Central do Brasil, e o Gentileza, vizinho à Rodoviária, onde ônibus permaneceram estacionados com as portas fechadas.

O movimento ocorreu em meio à recuperação judicial das duas empresas, que recentemente unificaram operações. A Real e a Vila Isabel já dividiam linhas importantes, como a 163 (Gentileza–Copacabana) e a 222 (Vila Isabel–Gamboa), além de atender corredores que conectam a cidade de ponta a ponta, incluindo trajetos até a Zona Oeste.

Prefeito chama greve de “picaretagem”

Antes mesmo do fim da greve, o prefeito Eduardo Paes usou as redes sociais para criticar o movimento. Ele classificou a paralisação como “picaretagem” e afirmou que os subsídios municipais estão sendo pagos em dia. Paes destacou que os repasses, que já somam R$ 2,8 bilhões desde 2022, são condicionados ao cumprimento de quilometragem e à qualidade do serviço, monitorada por sistemas como o Jaé e sensores de ar-condicionado nos veículos.

Já o RioÔnibus, sindicato patronal, rebateu as declarações do prefeito e afirmou que os cortes recentes de viagens e a redução de 40% nos subsídios provocaram desequilíbrio financeiro no setor. Segundo o porta-voz Paulo Valente, as empresas alegam dificuldades para cumprir a programação determinada pela prefeitura, que não consideraria as condições práticas de operação.

Impacto para os passageiros

Apesar do acordo, os passageiros foram os que mais sentiram os efeitos da paralisação. Muitos relataram horas de espera e a necessidade de buscar alternativas de transporte em plena manhã de terça-feira. A expectativa é que, com o fim da greve, as 20 linhas voltem a operar normalmente ao longo do dia, regularizando o atendimento nos principais corredores da cidade.

O episódio reacende o debate sobre a crise do transporte público no Rio, em um cenário de disputas entre prefeitura e empresas, cortes de viagens e discussões sobre a renovação das concessões, que foram encurtadas até 2028.

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