O primeiro bloco do debate da Band entre os candidatos ao Governo do Rio teve um protagonista ausente. Eduardo Paes (PSD), que desistiu de participar do encontro na véspera, tornou-se alvo recorrente dos adversários, que aproveitaram o púlpito vazio para questionar sua decisão e tentar confrontar o candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto.
Douglas Ruas (PL), André Marinho (Novo) e Willian Siri (PSOL), mesmo partindo de campos políticos distintos, concentraram parte de suas intervenções em críticas a Paes. A ausência acabou produzindo uma espécie de convergência circunstancial entre os três: todos buscaram explorar politicamente a decisão do candidato do PSD de não comparecer ao primeiro debate televisionado da disputa.
Paes havia informado que não participaria de debates e sabatinas antes do início oficial da campanha e da confirmação dos registros das candidaturas, seguindo orientação jurídica de sua coligação. A Band manteve o debate e o púlpito destinado ao candidato.
Siri e Ruas entram em choque na segurança
A convergência contra Paes, porém, não impediu que os candidatos presentes entrassem em confronto entre si. Um dos embates mais claros do primeiro bloco colocou Willian Siri e Douglas Ruas em lados opostos na discussão sobre segurança pública.
Siri vem defendendo uma mudança no modelo adotado no estado, com maior integração das políticas públicas e críticas à estratégia baseada prioritariamente no confronto policial. Antes do debate, havia resumido sua posição afirmando que “segurança pública não se faz somente com polícia, mas de forma coordenada”.
Ruas, por sua vez, defendeu sua experiência na administração estadual e procurou apresentar-se como candidato com trajetória própria, apesar da ligação do PL com o governo de Cláudio Castro. O confronto expôs uma das divisões mais nítidas da campanha: de um lado, a proposta do PSOL de reformular a política de segurança; do outro, o candidato que representa o partido que comandou o governo estadual nos últimos anos.
Ruas faz dobradinha com Marinho
Douglas Ruas (PL) e André Marinho (Novo) fizeram uma espécie de dobradinha ao usar perguntas e respostas entre si para direcionar críticas ao adversário que não estava presente.
O mote escolhido pelos dois candidatos foi a violência contra as mulheres. Durante a troca, Ruas e Marinho citaram episódios envolvendo Paes e integrantes de seu grupo político, transformando o espaço que deveria ser destinado ao confronto entre os dois em uma sequência de ataques ao candidato do PSD.
Ruas mencionou o episódio envolvendo Talita Galhardo e também fez referência a declarações anteriores de Paes. Ao abordar o tema, afirmou que existe violência psicológica contra mulheres e declarou que agressores devem ser responsabilizados criminalmente.
Na sequência, o candidato do Novo direcionou uma pergunta a Ruas sobre o assunto, permitindo que o adversário do PL também avançasse nas críticas a Paes. A dinâmica deu ao primeiro bloco características de uma dobradinha: um candidato levantava episódios relacionados ao prefeito e o outro dava continuidade ao ataque.
Marinho também recordou que Paes deixou a Prefeitura do Rio, apesar de anteriormente ter afirmado que permaneceria no cargo e feito referências ao Vasco e à Portela ao assumir o compromisso.
Os candidatos ainda citaram acusações feitas no passado contra nomes ligados politicamente a Paes, entre eles Pedro Paulo e um ex-presidente da Riotur. As menções foram utilizadas pelos adversários para reforçar o discurso sobre violência contra mulheres.
O tema ganhou espaço justamente no ano em que a Lei Maria da Penha completa um marco histórico desde sua sanção. Marinho associou a discussão sobre diferentes formas de violência contra a mulher à necessidade de responsabilização dos agressores.
Em outro momento, o candidato do Novo voltou a formular uma pergunta que permitiu a Ruas responder sobre o mesmo assunto, mantendo Eduardo Paes no centro da discussão apesar de sua ausência.
Garotinho ataca Ruas
Anthony Garotinho (Republicanos) também elevou a temperatura ao confrontar Douglas Ruas, numa disputa que ganha peso adicional porque os dois aparecem próximos na corrida pela segunda colocação em levantamentos eleitorais. Pesquisa Paraná divulgada no fim de julho mostrava Ruas com 11,1% e Garotinho com 11%, em empate técnico.
O ex-governador também explorou a cadeira vazia de Eduardo Paes. Antes mesmo do início do confronto, Garotinho já havia afirmado que o adversário teria “medo” de ser questionado.
“Se ele tem medo de enfrentar o Garotinho, como vai enfrentar o crime organizado?”, afirmou o candidato do Republicanos no pré-debate.
Com Paes fora do estúdio, o primeiro bloco acabou dividido em duas frentes: ataques ao favorito ausente e disputas diretas entre os quatro candidatos presentes. Ruas e Marinho, pela direita, e Siri, pela esquerda, encontraram na ausência do candidato do PSD um alvo comum, enquanto Garotinho procurou atingir tanto Paes quanto seu concorrente mais direto pela segunda posição, Douglas Ruas.
O resultado foi um início de debate marcado menos pela apresentação isolada de programas de governo e mais pela tentativa de definir adversários, estabelecer diferenças e ocupar o espaço político deixado pela ausência de Paes.







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