O padre José Luciano Jacques Penido, de 103 anos, morreu no início da noite da última sexta-feira (9) dentro da Paróquia Santo Afonso, na Tijuca, Zona Norte do Rio. O religioso passou mal por volta das 18h, no momento em que rezava a Ave Maria, acompanhado de outros cinco padres que também residem na paróquia. A morte ocorreu de forma tranquila, durante a oração.
A informação foi confirmada pela própria paróquia em publicação no Instagram. Nos comentários, fiéis se despediram com mensagens emocionadas. “Me batizou, disse que era meu pai espiritual. Fará muita falta”, escreveu uma seguidora. “Lembro ainda hoje da minha última confissão com ele. Que grande bênção foi na minha vida e da minha família”, comentou outra fiel.
O velório aconteceu no sábado (10), na própria igreja, das 10h às 22h, com celebrações de missas em horários alternados.O momento reuniu centenas de fiéis e contou com a presença do cardeal Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro.
“Um dia de muita emoção e fé para guardarmos na memória. Nossa gratidão eterna a Deus por ter nos abençoado com um sacerdote como Padre Penido, por tantos anos, em nossa comunidade”, publicou a paróquia.
Trajetória marcada pela fé e serviço
Conhecido carinhosamente como Padre Penido, José Luciano Jacques Penido nasceu em outubro de 1922, no município de Belo Vale, em Minas Gerais. Desde a infância demonstrava vocação religiosa e, aos 11 anos, ingressou no Seminário Redentorista de Congonhas (MG).
O sacerdote chegou ao Rio de Janeiro em 1959, passando a morar na Igreja de Santo Afonso, onde construiu grande parte de sua história pastoral. Entre 1967 e 1969, estudou em Roma, na Itália. Em 1975, retornou definitivamente ao Rio, voltando a residir na paróquia da Tijuca, onde permaneceu até o fim da vida.
Em nota, a Arquidiocese do Rio de Janeiro destacou que o padre era “muito querido pelos paroquianos, considerado um sacerdote de grande coração, humilde, gentil e solícito, que orientava os fiéis com zelo e testemunho missionário, sempre à luz do carisma Redentorista”.
Reconhecimento e legado histórico
Em 2022, ao completar 100 anos, padre Penido recebeu uma bênção apostólica do Papa Francisco e uma carta do Superior Geral dos Redentoristas, padre Rogério Gomes, em reconhecimento aos 83 anos de vida religiosa e 78 anos de sacerdócio.
Além da atuação pastoral, padre Penido também deixou um importante legado cultural e histórico. Ele foi o fundador do Museu do Escravo, em Belo Vale (MG), dedicado à preservação da memória da escravidão no Brasil, com acervo voltado à luta, resistência e história dos povos africanos escravizados ao longo de 358 anos.






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