Padilha diz que metanol foi usado para ‘transformar uma garrafa em duas’

Ministro afirma que adulteração ocorre após a produção e promete antídoto fomepizol nesta semana

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a contaminação por metanol em bebidas alcoólicas está ligada à adulteração no pós-produção, com objetivo de aumentar o volume e o lucro dos criminosos. As declarações foram dadas em entrevista à TV Fórum e publicadas pela Revista Fórum nesta segunda-feira (6) .

O ministro disse que o propósito do crime é “transformar uma garrafa em duas” e que “tudo sugere que a adulteração é posterior” ao processo de produção. Segundo ele, essa dinâmica dificulta a retirada preventiva de lotes, já que a fraude não acontece dentro das linhas formais de produção.

Adulteração fora da fábrica
Padilha explicou que, quando o crime ocorre no processo industrial, é possível rastrear o lote e retirá-lo de circulação. No cenário atual, porém, a suspeita é de manipulação à margem do sistema regulado, em pontos de envase clandestino ou etapas posteriores de comércio informal.

Outras entrevistas recentes do ministro reforçam a tese de adulteração após a produção, com detalhamento sobre como os antídotos atuam no organismo.

Antídotos e logística de distribuição
O ministro afirmou que o governo garantiu estoque de antídotos e que o medicamento fomepizol — de uso raro e importado com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde — deve chegar ao país nesta semana. A estratégia inclui etanol farmacêutico e a montagem de centros regionais de referência, com nove unidades em São Paulo, para distribuir rapidamente o tratamento.

O Ministério da Saúde informou medidas adicionais: reserva estratégica de etanol em hospitais universitários, compra emergencial de novos lotes e ativação de uma Sala de Situação para monitorar o surto.

Casos e mortes sob investigação
Padilha relatou que o governo acompanha notificações de intoxicação — com registros concentrados em São Paulo — e monitora óbitos possivelmente relacionados ao metanol. Os dados são compartilhados com as polícias civil e federal, que investigam se há um esquema nacional ou ações isoladas em diferentes estados.

Em paralelo, prefeituras e vigilâncias sanitárias intensificam fiscalizações e apreensões em bares, mercados e distribuidoras.

Orientações ao consumidor
As autoridades de saúde reforçaram recomendações de cautela no consumo de destilados, especialmente em embalagens mais suscetíveis à adulteração, e pediram que serviços de saúde notifiquem imediatamente suspeitas para acelerar o atendimento e a investigação.

Em declarações recentes, Padilha sugeriu evitar bebidas destiladas em garrafas com tampas de rosca enquanto durar a investigação e o enfrentamento do surto.

Como identificar e o que fazer
• Desconfie de ofertas muito abaixo do preço de mercado e de rótulos ou lacres com sinais de violação
• Evite consumir destilados de procedência duvidosa ou fora de canais formais
• Em caso de sintomas como náusea intensa, dor abdominal, visão turva, tontura ou sonolência após ingerir bebida alcoólica, procure atendimento imediatamente e informe a suspeita de metanol para acelerar o protocolo com antídotos específicos (etanol farmacêutico e fomepizol) e exames toxicológicos CNN Brasil

Aspas do ministro
“Transformar uma garrafa em duas”
“Tudo sugere que a adulteração é posterior”
“O que fizeram comigo foi um tiro pela culatra”
“Eu sempre vejo o diálogo e a negociação como algo positivo” Revista Fórum

Observação: esta reportagem se baseia nas declarações do ministro à TV Fórum e em posicionamentos oficiais recentes do Ministério da Saúde e de entrevistas complementares, a fim de contextualizar a estratégia de resposta ao surto e orientar o público sobre riscos e cuidados.

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