Pacto entre CV e PCC em 2025 foi negociado por WhatsApp, mostra investigação da polícia

Polícia Civil aponta que líderes das duas facções trocaram mensagens e áudios para selar acordo em 2025; aliança durou cerca de dois meses.

A breve aliança entre integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2025 teria sido articulada por meio de conversas no WhatsApp entre líderes das duas organizações criminosas. A informação consta em investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

De acordo com os investigadores, o diálogo ocorreu em fevereiro de 2025 e marcou o início de um pacto entre os grupos. A cooperação, porém, teve curta duração e foi desfeita cerca de dois meses depois, embora ainda exista um acordo informal para evitar confrontos diretos.

As mensagens e documentos analisados pela polícia indicam que representantes das duas facções trocaram áudios e textos celebrando o entendimento entre os grupos, considerado por eles um momento histórico para as organizações criminosas.

Mensagens revelam articulação entre líderes

Segundo a investigação, a negociação pelo lado do Comando Vermelho foi conduzida por Edgar Alves, conhecido como Doca, apontado como um dos principais líderes da facção nas ruas do Rio de Janeiro.

Já o interlocutor do PCC aparece nas conversas apenas com a identificação “São Paulo”. A reportagem da Folha de São Paulo teve acesso ao material que integra o inquérito policial.

Os registros mostram que, em 25 de fevereiro de 2025, os dois participaram de uma ligação de aproximadamente quatro minutos. Em seguida, foram enviadas mensagens celebrando o acordo entre as organizações.

Estatuto da facção foi compartilhado na conversa

Durante o diálogo, Doca teria encaminhado ao representante do PCC uma versão atualizada do estatuto do Comando Vermelho. No documento, segundo a investigação, foram incluídas regras de não agressão entre as duas facções.

O texto descreve princípios considerados fundamentais pela organização, como liberdade, respeito, justiça e união. Também menciona a convivência com grupos considerados aliados ou com os quais exista algum tipo de relação.

Ainda conforme o material analisado, o estatuto apresenta a estrutura hierárquica da facção, incluindo o conselho central formado por 13 integrantes.

Documento detalha hierarquia e punições

A investigação aponta que o conselho seria liderado por Márcio Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, atualmente preso em presídio federal. A defesa dele, no entanto, nega que ele exerça comando sobre a facção.

O documento também traz um código de conduta interno com regras para os integrantes do grupo. Entre as proibições citadas estão conflitos entre membros, desobediência às ordens do comando e a tomada de áreas controladas por outros integrantes.

As punições previstas variam de advertências verbais até sanções consideradas graves dentro da estrutura da organização.

Aliança entre facções terminou após dois meses

A investigação indica que o pacto entre as facções também foi divulgado em um comunicado interno que anunciava o fim da guerra entre os grupos. A mensagem teria sido repassada para integrantes em diferentes estados do país.

Relatórios da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) identificaram o acordo na época e registraram o envio das orientações para membros das organizações.

Apesar da tentativa de aproximação, a aliança terminou cerca de dois meses depois. Segundo relatos de advogados ligados ao caso, divergências sobre práticas violentas atribuídas ao Comando Vermelho e disputas por rotas do tráfico de drogas contribuíram para o rompimento do pacto.

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