Opositor de Maduro se declara presidente eleito e pede apoio militar

González não pretende assumir imediatamente as funções presidenciais, mas iniciar um processo de transição de poder

Edmundo González, candidato da coalizão opositora na Venezuela, declarou-se presidente eleito nesta segunda-feira (6), em uma carta divulgada à imprensa. Seus aliados afirmam que ele venceu as eleições, contrariando a proclamação de Nicolás Maduro pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O resultado das eleições tem sido amplamente contestado pela comunidade internacional.

Fontes próximas a González e à líder opositora María Corina Machado esclarecem que a proclamação não visa estabelecer um governo paralelo ao de Caracas, mas sim validar o que consideram ser o resultado legítimo das urnas. A oposição afirma ter posse de mais de 80% das atas eleitorais que confirmam a vitória de González.

A carta enfatiza que o termo “eleito” é fundamental nesta declaração, sinalizando que González não pretende assumir imediatamente as funções presidenciais, mas sim iniciar um processo de transição de poder. A dupla também apela às Forças Armadas venezuelanas para que não sejam cúmplices do governo de Maduro e se alinhem ao lado do povo.

“Convocamos a consciência dos militares e policiais para que se coloquem ao lado do povo e de suas próprias famílias”, escreveram. Eles mencionam a existência de dissidência dentro das fileiras militares, com membros contrários à repressão exercida pelo governo após manifestações populares contra o resultado oficial das eleições.

Oposição afirma ter vencido com 67% dos votos

A oposição afirma que, segundo suas atas, González obteve 67% dos votos, enquanto Maduro teria recebido apenas 30%. Em contraste, o CNE, sem divulgar detalhes por estado, município, centro ou mesa de votação, anunciou que Maduro venceu com 52% dos votos contra 43% de González.

Diversos países, incluindo os Estados Unidos, já reconheceram González como o vencedor legítimo. Entretanto, Brasil, Colômbia e México, considerados atores-chave nesse cenário, têm solicitado que o governo de Maduro publique dados detalhados e as atas eleitorais para permitir uma verificação independente dos resultados.

Com informações da Folha de S.Paulo

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