A anulação da sessão extraordinária que havia eleito o deputado Douglas Ruas (PL) para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) alterou o cenário político interno da Casa e abriu espaço para uma reorganização da oposição. Com a decisão do Tribunal de Justiça, grupos de esquerda passaram a intensificar articulações para disputar o comando do Legislativo estadual.
Nos bastidores, parlamentares voltam a discutir a formação de uma composição que reúna o deputado Chico Machado (Solidariedade) como candidato à presidência da Alerj e o ex-deputado André Ceciliano (PT) como opção para um eventual mandato-tampão no Executivo estadual.
Rearticulação da oposição
A reversão do resultado anterior deu novo fôlego à oposição, que busca consolidar um bloco competitivo para a disputa. A avaliação entre parlamentares é que o novo cenário permite retomar negociações que haviam sido interrompidas após a eleição relâmpago realizada na quinta-feira (26).
Segundo o deputado Carlos Minc (PSB), a combinação entre a decisão judicial no Rio e o julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) pode ampliar as chances de vitória da oposição.
“A vitória de ontem no TJ, combinada com o julgamento no STF, faz com que Ceciliano possa disputar, e o voto secreto favorece a oposição. A chance de vitória aumenta. O grupo teve 45 votos, mas muitos votaram pressionados. Por isso, a chance dessa dobradinha é real e vem sendo discutida”, disse.
Julgamento no STF
O cenário também é influenciado pelo julgamento da liminar concedida pelo ministro Luiz Fux no STF, que trata das regras para a eventual eleição indireta. A análise do caso pelo plenário da Corte deve ser concluída até segunda-feira.
Até o momento, o Supremo já registra maioria favorável ao voto secreto, além de uma divisão quanto ao prazo de desincompatibilização de cargos públicos, com quatro votos permitindo afastamento em até 24 horas. A definição final pode impactar diretamente a viabilidade de candidaturas.
Candidaturas em debate
Enquanto parte da oposição se aproxima de um acordo em torno de Chico Machado, ainda há indefinição sobre o nome que representará o grupo na disputa pelo Executivo. Um deputado afirmou que as conversas estão avançadas no campo legislativo, mas ainda dependem de ajustes.
“O apoio a Chico Machado está perto, vamos dizer assim. Já em relação a Ceciliano, ainda está se decidindo, mas é uma possibilidade de fato”, revelou.
No campo do PSOL, o presidente estadual do partido, Flávio Serafini, indicou que há maior convergência em torno do nome de Ceciliano, mas ponderou que a definição sobre a presidência da Alerj ainda está em aberto.
“Acho que foi fundamental a Justiça restabelecer o pleito. Agora estamos conversando. Na segunda-feira a bancada fará uma reunião para decidir. O ideal é que tivesse um nome da esquerda, mas se não for teremos que discutir os termos do apoio”, avaliou, não descartando o apoio a Chico Machado.
Movimentos da base e cenário aberto
A tentativa anterior da base governista de acelerar a eleição é interpretada por integrantes da oposição como um indicativo de incerteza quanto à vitória de Douglas Ruas. Na avaliação de parlamentares, a saída de Chico Machado da disputa naquele momento teria facilitado o avanço governista.
Com a anulação do pleito, o cenário volta a ficar indefinido. Enquanto o PSD, ligado ao prefeito Eduardo Paes, ainda busca na Justiça a realização de uma eleição direta para o governo do estado, as articulações dentro da Alerj seguem em curso e devem ganhar intensidade até a definição do STF.






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