Deputados de oposição usaram o expediente inicial da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta quarta-feira (23/10), para defender a permanência de Jerson Lima da Silva à frente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj).
O anúncio da saída de Jerson Lima pegou o mundo acadêmico de surpresa. A expectativa é que o cargo seja ocupado pelo bolsonarista Alexandre Valle. A exoneração foi afiançada pelo governador Cláudio Castro. Valle, que foi secretário estadual de Educação e deputado federal, perdeu a disputa pela prefeitura de Itaguaí.
Presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, a deputada Elika Takimoto (PT) disse lamentar, em nome de pesquisadores e cientistas, que o órgão seja usado politicamente pelo governo, já que o futuro presidente não possui ligação com a academia.
“As instituições de pesquisa e ensino apontam que essa movimentação, feita de forma unilateral, vai afetar negativamente o trabalho que vem sendo desenvolvido. O indicado é empresário do ramo de corretagem. Não é ligado ao mundo da pesquisa”, criticou.
Outra que usou o expediente inicial para reagir a mudança proposta pelo governo foi a deputada Dani Balbi (PCdoB). Ela também lamentou que a Faperj tenha sua tradição quebrada por conta de um “correligionário” do governador Cláudio Castro.
“A Faperj desenvolve inúmeras pesquisas com base em políticas públicas. Ou seja, presta relevantes serviços para a sociedade. O governador trocou o presidente atual por um correligionário seu, que não tem nenhuma ligação acadêmica, quebrando uma longa tradição. Seria interessante ouvir a comunidade científica antes”, disse a deputada.
Os deputados, no entanto, não foram os únicos a criticar a mudança. A Uerj criou uma petição pública contrária à saída de Jerson Lima. De acordo com o documento, a exoneração é um pedido do secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Anderson Moraes, deputado estadual licenciado.
“A FAPERJ é essencial para o financiamento da ciência no estado do Rio, apoiando não só as Universidades Estaduais e Federais, como também em diversas frentes que apoiam e valorizam a sociedade fluminense”, diz um trecho da nota.
Reação da base governista
Integrante da CPI da Transparência, o deputado Rodrigo Amorim (União Brasil) elogiou a troca de comando. Para ele, a Faperj é a “maior vergonha” do estado pelo volume de “roubalheira desenfreada que acontece lá.”
“Já protocolei pedidos para a CPI com requerimentos de informação e em breve faremos audiências aqui nesta Casa, ouvindo todos os canalhas que fingem estar fazendo pesquisa e inovação universitária, mas na verdade estão botando muitos milhões no bolso às custas dos nossos impostos.”
A Agenda do Poder aguarda um posicionamento da secretaria estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação.





