Jerson Lima, presidente da Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj), foi exonerado, conforme publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (7). Caroline Alves, então presidente da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), foi nomeada para substituí-lo. No lugar de Caroline, assumiu Alexandre Valle, ex-secretário de Educação e candidato derrotado à prefeitura de Itaguaí pelo PL nas últimas eleições.
As mudanças foram assinadas pelo governador Claudio Castro, após um intenso debate que envolveu entidades acadêmicas e científicas, as quais protestaram contra a saída de Jerson Lima, que liderava a Faperj desde janeiro de 2019. A fundação tem um papel essencial no financiamento de estudos, pesquisas e bolsas para pesquisadores, com um orçamento anual de R$ 620 milhões.
Inicialmente, o secretário de Ciência e Tecnologia, Anderson Moraes, sugeriu que Alexandre Valle assumisse a presidência da Faperj, mas essa indicação provocou reação de representantes do setor acadêmico e científico.
Após essas manifestações, a indicada para o cargo passou a ser Caroline Alves.
Na sexta-feira (1º) passada, uma audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia da Alerj lotou o plenário da Casa. Diversos pesquisadores e lideranças de organizações científicas se manifestaram contra a indicação de Caroline Alves para a Faperj.
Ligia Bahia, professora da UFRJ especialista em Saúde Pública, afirmou que Alves não tem a experiência necessária para o cargo.
“Nós temos uma única reivindicação. Que o perfil da presidência da Faperj seja de uma liderança científica. Seja de um pesquisador que tenha capacidade de gestão, que avance na ciência, tecnologia e inovação no Rio de Janeiro”, afirmou.
Segundo a coluna do jornalista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, a decisão de Claudio Castro foi tomada após uma reunião com reitores de universidades, em que o governador garantiu que a política de apoio à ciência da Faperj seguirá as mesmas diretrizes da gestão atual.
Em nota, a Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) informaram que se reuniram com Castro nesta quarta (6), junto a outras instituições acadêmicas do Rio.
Segundo as associações, novamente foi cobrado do governador a escolha de um presidente para a Faperj com currículo e liderança científica, o que não foi atendido.
“Instado pelos participantes, o governador se comprometeu publicamente a assegurar, junto ao seu Secretário de Ciência e Tecnologia, a continuidade de todos os editais da Faperj, além da garantia da manutenção dos 2% da receita líquida do orçamento do estado para a fundação. Finalmente, também afirmou que sancionaria o projeto de lei 4328/2024 da deputada Dani Balbi, para indicação de presidência da Faperj por lista tríplice e mandato fixo para o cargo, caso este seja aprovado na Alerj”, diz a nota.
O que faz a fundação
A Faperj financia pesquisas como a que comprovou a ligação entre o zikavirus e a microcefalia em bebês. Recentemente, pesquisadores da UFRJ apoiados pela fundação desenvolveram uma molécula que pode ajudar no combate ao alzheimer. O orçamento da faperj para esse ano é de mais de R$ 620 milhões.
A presidência da Faperj é um cargo de livre nomeação. Isso quer dizer que depende de indicação. Mas um projeto apresentado quinta, na Alerj, prevê a escolha dentro de umna listra tríplice e a criação de um mandato de três anos.
Com informações do g1.





